O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes pediu que a Procuradoria-Geral da República (PGR) investigue o senador Alessandro Vieira (MDB-SE). Segundo informações da Folha de S.Paulo, o magistrado aponta suposto abuso de poder na elaboração do relatório apresentado pelo parlamentar na CPI do Crime Organizado.

No documento final, o senador por Sergipe propôs o indiciamento de ministros do STF. Em publicação na rede social X, Gilmar Mendes afirmou que os excessos podem caracterizar abuso de autoridade e “devem ser rigorosamente apurados pela PGR”.
O procurador-geral da República, Paulo Gonet, também foi citado no relatório. Na avaliação de Vieira, houve omissão da PGR no caso envolvendo o Banco Master.
Outro alvo do parecer, o ministro Dias Toffoli — citado por crime de responsabilidade devido a supostas ligações com o Master —, declarou durante sessão que a atuação de Vieira pode configurar crime de abuso de autoridade e gerar consequências na esfera eleitoral, como a inelegibilidade.
Durante a leitura do relatório na CPI, Alessandro afirmou que não vai ceder a pressões. “Eu não me curvo a ameaça, não me curvava enquanto cidadão, não me curvava delegado, não vou me curvar como senador da República” (veja vídeo abaixo).
Relatório rejeitado
O parecer de Alessandro Vieira foi derrubado na noite de terça-feira (14), após articulação do governo federal. O placar registrou seis votos contrários — incluindo o do senador Rogério Carvalho (PT-SE) — e quatro a favor.
O líder do governo Lula no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), que também votou contra o texto, criticou o relatório argumentando que não houve menção a líderes de facções criminosas ou milícias. Wagner ressaltou que a comissão não é lugar para disputa política, mas de investigação.
“Do ponto de vista de indiciamento, [Fabiano] Zettel não foi indiciado, Daniel [Vorcaro] não foi indiciado, o ex-presidente do Banco Central [Roberto Campos Neto] não foi indiciado”, justificou o senador baiano.
Após a rejeição de seu texto, Alessandro Vieira manifestou-se pelas redes sociais. “Numa democracia, você respeita o resultado das votações mesmo quando ele não lhe é favorável”, escreveu o parlamentar.
Deixe sua opinião nos comentários abaixo.

O comentário é de responsabilidade do autor da mensagem; não representa a opinião de NE Notícias.