Da redação*

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) suspendeu nesta terça-feira (9) o julgamento sobre a validade de uma pesquisa de intenção de voto para presidente da República realizada pela AtlasIntel.

Ministro do STF Kassio Nunes Marques
Ministro Nunes Marques durante sessão solene de posse no STF — Fellipe Sampaio / STF

A paralisação ocorreu após pedido de vista da ministra Estela Aranha. O placar, até o momento, está 1 a 0 pela suspensão da pesquisa, sem data para retomada.

Na segunda-feira (8), o presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, havia suspendido monocraticamente a divulgação do levantamento, entendendo que as perguntas induziram as respostas dos eleitores.

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Com a decisão, a pesquisa não pode permanecer publicada nos canais oficiais da AtlasIntel, ser republicada ou impulsionada nas redes sociais.

O levantamento foi divulgado em 19 de maio e apontou queda de cinco pontos na intenção de voto do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à presidência, após o surgimento de uma conversa do parlamentar com o banqueiro Daniel Vorcaro.

O PL pediu a suspensão, questionando perguntas relacionadas ao caso Master e alegando que aos eleitores também foi apresentado o áudio em que Flávio aparece pedindo dinheiro a Vorcaro para financiar o filme Dark Horse, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Plenário

Na sessão de ontem, o plenário do TSE começou a analisar se a decisão de Kassio seria referendada.

Ao reafirmar seu voto, o ministro disse haver elementos consistentes para o possível “comprometimento da neutralidade metodológica” do questionário.

“A existência de sequência de perguntas que, ao menos em juízo de cognição sumária, aparentam extrapolar a simples aferição neutra da opinião pública para introduzir estímulos narrativos possivelmente aptos a influenciar as respostas”, afirmou.

Defesas

O advogado Gualter Rafael Maciel Bezerra, representante da AtlasIntel, afirmou que o PL não apontou violação às regras para realização de pesquisas eleitorais e argumentou subjetivamente que Flávio foi prejudicado.

“O que se tem na representação é uma discordância da metodologia com relação a um fato político público e notório, qual seja, a relação de Flávio Bolsonaro, pré-candidato pelo PL, com Daniel Vorcaro e a questão do Banco Master”, disse.

A advogada Maria Claudia Bucchianeri fez a defesa do partido e alegou que o interesse por “pesquisas íntegras” é apartidário.

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“Essa pesquisa tem um problema fatal, ela não trouxe a íntegra do questionário, porque ela incluiu um vídeo, que submeteu aos entrevistados, mas essa mídia não foi anexada, não foi sequer transcrita”, afirmou.

Áudio e vídeo

Durante o julgamento, o ministro Dias Toffoli pediu um aparte para questionar se institutos de pesquisa podem exibir áudios ou vídeos ao formular perguntas ao eleitor.

“Pode fazer vídeo? A gente sabe o que vai acontecer, vai ter vídeo para tudo quanto é lado, e pesquisa que mostra aquele vídeo e depois faz a pergunta. Diante desse vídeo, você votaria em A, B ou C, votaria neste ou naquele. Vai ter vídeo até citando juízes. Não vamos ser ingênuos”, afirmou.

Toffoli também destacou que a decisão a ser tomada pelo TSE fixará parâmetros para a divulgação de pesquisas eleitorais nas eleições de outubro.

“Vamos decidir o futuro. Pesquisa pode tudo ou não pode nada, ou pode perguntas claras e objetivas, sem induzimento. E qual seria esse limite do que é induzimento ou que não é induzimento”, completou.

(*) Com informações de Andre Richter (Agência Brasil)

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