Da redação

A ex-deputada Carla Zambelli foi libertada na noite desta sexta-feira (22) depois que a Corte de Cassação da Itália negou o pedido do governo brasileiro de extradição.

Deputada Carla Zambelli durante coletiva na Câmara dos Deputados – Brasília (DF) 23/04/2024
Lula Marques|Agência Brasil

Ao deixar a prisão, Zambelli publicou um vídeo nas redes sociais (veja mais abaixo) do advogado Pieremilio Sammarco, responsável por sua defesa no país.

“Agora, a gente está livre para continuar uma vida de missão. Vocês não sabem ainda qual é essa missão, mas logo vão saber pelos meus canais”, declarou.

Segundo a defesa, o tribunal reconheceu erros nas decisões que autorizavam a extradição. Com isso, a ex-deputada deixa a prisão e aguardará o desfecho do processo em liberdade.

Reprodução

Como o caso chegou até aqui

Nas instâncias inferiores, a extradição havia sido aceita, mas não executada porque ainda cabia recurso. A Corte de Cassação é a última instância do judiciário italiano.

Em julho do ano passado, Zambelli foi presa em Roma, onde tentava escapar do cumprimento de um mandado de prisão emitido pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

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Com dupla cidadania, ela havia deixado o Brasil após ser condenada pelo STF a 10 anos de prisão pela invasão ao sistema eletrônico do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), ocorrida em 2023.

As investigações apontam Zambelli como autora intelectual da invasão, realizada para emitir um mandado falso de prisão contra Alexandre de Moraes. O hackeamento teria sido executado por Walter Delgatti, também condenado, que confirmou ter agido a mando da parlamentar.

Segundo pedido rejeitado

A negativa à extradição de Zambelli é a segunda sofrida pelo governo brasileiro a pedido do ministro Alexandre de Moraes. Em dezembro do ano passado, a Justiça da Espanha rejeitou definitivamente o pedido de extradição do blogueiro Oswaldo Eustáquio, investigado pelo STF por suposto envolvimento em atos antidemocráticos.

Na decisão, os juízes espanhóis entenderam que Eustáquio não poderia ser enviado ao Brasil por ser alvo de investigação com “motivação política”.

O blogueiro tinha mandado de prisão em aberto no Brasil desde 2020 e fugiu para a Espanha no curso das apurações sobre seu papel no impulsionamento de ataques extremistas contra o STF e o Congresso.

Com informações de André Richter (Agência Brasil)