Da redação*

O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, teve R$ 119 milhões em bens bloqueados por determinação do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), nesta sexta-feira (10).

Ministro Flávio Dino durante sessão plenária do STF
Sessão plenária do STF em 25/06/2024 – Foto: Antonio Augusto

A decisão é um desdobramento da Operação Transparência, na qual a Polícia Federal investiga desvios de emendas parlamentares.

Dino apontou suspeita de que Valdemar fez indicações irregulares de recursos mesmo sem exercer mandato, já que o dirigente partidário é ex-deputado federal.

O que diz a decisão de Dino

Na decisão, o ministro afirmou: “Consoante atestam diálogos em aplicativos de mensagens e numerosas planilhas compartilhadas entre os investigados, Valdemar Costa Neto, sem exercer mandato parlamentar, parece ter atuado, até muito recentemente, como mandante do (re)direcionamento de valores públicos”.

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Segundo as investigações, as indicações irregulares de emendas ocorriam por meio de funcionários da Câmara dos Deputados, que atuavam a mando de Valdemar.

Como o esquema funcionava

Funcionários da liderança do PL entravam em contato com uma servidora responsável pelo registro das emendas e solicitavam a inclusão das indicações de recursos em nome de Valdemar. Um dos episódios foi documentado em mensagem descoberta pelos investigadores.

Garigham Amarante Pinto, apontado como interlocutor direto de Valdemar, procurou a servidora Mariângela Fialek para saber se as indicações haviam sido formalizadas.

Presidente do PL Valdemar Costa Neto
Valdemar Costa Neto – Foto: Valter Campanato|Agência Brasil

No dia seguinte, 26 de agosto de 2025, ele cobrou a confirmação: “Fechou o valor do Pres Valdemar?”, em provável referência ao presidente do PL. Mariângela respondeu: “Se puder trocar tudo turismo ótimo”. Garigham completou: “24 milhões tá bom”, segundo trecho da investigação.

Os R$ 119 milhões em emendas

A PF registrou 21 emendas em nome de Valdemar, que somam R$ 119 milhões, valor bloqueado pelo STF para garantir eventual ressarcimento em caso de condenação. Os registros ocorreram entre 2024, 2025 e 2026.

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A maior emenda, de R$ 24 milhões, foi destinada a Porto Seguro (BA). Depois aparecem duas indicações de R$ 15,8 milhões e R$ 11 milhões para Suzano (SP).

Mogi das Cruzes (SP), Rio de Janeiro, Caraguatatuba (SP) e Dom Eliseu (PA) também receberam emendas atribuídas ao presidente do PL.

Ausência de mandato, diz Dino

Ao determinar o bloqueio dos bens, Dino ressaltou que Costa Neto não tem direito à indicação de emendas por não ocupar mandato parlamentar.

“A espantosa ascendência que alguns servidores da Câmara dos Deputados parecem atribuir ao investigado Valdemar Costa Neto contrasta com a ausência de título jurídico que lhe permita dispor do orçamento público, sejam quais forem os valores, sejam quais forem os seus destinatários”, afirmou o ministro.

Trecho da decisão do ministro

O que diz a defesa

Em nota à imprensa, a defesa de Valdemar Costa Neto classificou a decisão de Dino como baseada em “premissas frágeis e inferências subjetivas” e afirmou que o presidente do PL não cometeu crime.

“Valdemar Costa Neto nega categoricamente a prática de qualquer crime. Não há qualquer prova, ou mesmo indício, de que tenha aderido conscientemente a um suposto esquema criminoso”, disse a defesa.

Defesa

(*) Com informações de Andre Richter, Agência Brasil

CNN Brasil