Gilmar Carvalho*

O governo brasileiro vai acionar imediatamente a Lei de Reciprocidade em resposta ao tarifaço anunciado nesta quarta-feira (15) pelos Estados Unidos. A medida do governo Trump impõe taxação de 25% sobre produtos vindos do Brasil e passa a valer a partir do dia 22 de julho, com base em investigação conduzida pelo Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR).

Trump e Lula durante discursos na Assembleia-Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) - 23/09/2025
Imagens: Reprodução|Ricardo Stuckert (PR)

Em nota assinada pela Secretaria de Comunicação Social (Secom) da Presidência da República, o Brasil afirma não reconhecer a legitimidade das investigações que embasaram a decisão americana, por não terem amparo nas regras multilaterais de comércio. Para o governo brasileiro, não existe justificativa para medidas unilaterais dos Estados Unidos contra o país.

“O dia 15 de julho de 2026 passará para a história das relações entre Brasil e EUA como um marco lastimável”, diz a nota.

Reciprocidade e OMC

Segundo o texto, o Brasil iniciará imediatamente os trâmites para acionar os instrumentos previstos na Lei de Reciprocidade, aprovada por unanimidade pelo Congresso Nacional.

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O governo também vai retomar o tema no âmbito do mecanismo de solução de controvérsias da Organização Mundial do Comércio (OMC).

O que motivou o tarifaço

A investigação do USTR, iniciada há um ano, concluiu que práticas brasileiras oneram ou restringem o comércio de agricultores, trabalhadores, inovadores e exportadores dos Estados Unidos. Entre os pontos citados pelo órgão americano estão práticas de comércio digital e serviços de pagamento eletrônico, tarifas preferenciais consideradas injustas, interferência anticorrupção, proteção da propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol e desmatamento ilegal.

O governo brasileiro rebate as alegações sobre o Pix e a regulação de plataformas digitais, classificando-as como descabidas. As acusações sobre desmatamento também são chamadas de absurdas pela Presidência.

“O Pix é um patrimônio do nosso povo e referência internacional de infraestrutura pública digital. No Brasil, não vamos abdicar de proteger nossas famílias e nossas crianças contra a ganância de um punhado de tecno-oligarcas”, informa a nota.

A liberdade de expressão não é carta branca para a criminalidade“, segue o texto.

O governo destaca que, a partir de 2023, o combate a ilícitos ambientais foi intensificado, com redução do desmatamento em todos os biomas brasileiros.

Audiências e dados comerciais

De acordo com a nota, as audiências públicas promovidas pelo USTR na semana passada reuniram 78 intervenções de representantes do setor privado dos dois países. Dessas, 63 foram contrárias ao tarifaço norte-americano.

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A Presidência cita ainda estatísticas do próprio governo dos Estados Unidos: nos últimos 15 anos, os EUA acumularam superávit de US$ 424,5 bilhões em bens e serviços com o Brasil. Em 2025, 76% das importações originárias dos EUA entraram no país sem pagar imposto de importação, e a alíquota média efetivamente aplicada sobre produtos norte-americanos foi de 3,1%.

A nota conclui informando que o Brasil continuará adotando medidas para reduzir os danos causados à economia do país e aos brasileiros, além de seguir buscando diversificar parceiros comerciais para abrir novos mercados para os produtos brasileiros.

Por meio do Plano Brasil Soberano, o governo diz que manterá medidas de proteção aos setores afetados pelas tarifas, com o objetivo de preservar empregos e a capacidade produtiva nacional.

(*) Com informações de Vitor Abdala, Agência Brasil

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