Um advogado e líder religioso identificado pelas iniciais I.S.C., de 35 anos, foi preso pela Polícia Civil de Sergipe na última quarta-feira (19) sob suspeita de abuso sexual contra ao menos dez crianças e adolescentes.

Segundo apurações, parte dos casos relatados pelas vítimas teria ocorrido dentro da própria igreja onde o investigado atuava.
A prisão foi efetivada quando o advogado compareceu ao Departamento de Atendimento a Grupos Vulneráveis (DAGV) para prestar depoimento. No local, foi cumprida a ordem judicial de prisão preventiva.
Encaminhado para audiência de custódia, teve a detenção mantida pela Justiça e segue custodiado no Presídio Militar (Presmil).
Buscas e apreensões
Agentes realizaram buscas e apreensões tanto na residência quanto no escritório do suspeito. O aparelho celular e o passaporte de I.S.C. foram entregues às autoridades.
O caso tramita sob estrito sigilo legal, e as investigações são conduzidas pelo DAGV.

OAB-SE suspende registro
A seccional sergipana da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-SE) instaurou processo ético-disciplinar e determinou a suspensão cautelar do exercício profissional.
O investigado, inclusive, já atuou como conselheiro da entidade.
Igreja afasta o acusado
Ao ser informada das primeiras acusações, a liderança da Igreja Metodista aceitou o pedido de renúncia do investigado e efetivou seu afastamento imediato de todas as funções e representações. A denominação abriu processo disciplinar interno e declarou estar à disposição do Judiciário e das forças de segurança para contribuir com as apurações.
Em nota, a instituição reafirmou que não compactua com qualquer prática delituosa ou ato de violência contra qualquer pessoa, e convocou igrejas e membros a zelar pela promoção de ambientes seguros. Leia a íntegra abaixo.
Nota da Igreja Metodista
“Reafirmamos, de forma inequívoca e peremptória, que a Igreja Metodista não compactua e jamais compactuará com qualquer prática delituosa ou ato de violência e exploração contra qualquer ser humano – independentemente do gênero, faixa etária ou credo.
Sendo assim, na semana passada, ao ser surpreendida com as primeiras acusações de conduta criminosa que pesam sobre a vida privada de um de seus integrantes, a liderança acolheu prontamente o pedido de renúncia do referido acusado, efetivando imediatamente o seu afastamento completo de todas as atribuições, funções e representações no âmbito da Cogeam e da denominação, determinando ainda a abertura de processo disciplinar e apuração rigorosa dos fatos, respeitado o devido processo legal, o contraditório e a ampla defesa.
Assim, respeitando a condução das investigações pelas autoridades competentes, a Igreja Metodista declara que está e permanecerá à inteira disposição do Poder Judiciário e das forças de segurança para contribuir com a apuração dos fatos no que estiver ao alcance da denominação.
Como comunidade cristã de tradição wesleyana, reafirmamos nosso compromisso inegociável de combater, sem descanso e sem complacência com autores de delitos, todo e qualquer tipo de violência contra a integridade humana. A defesa e a acolhida aos mais vulneráveis são princípios morais e éticos dos quais jamais nos afastaremos.
Convocamos, ainda, nossas igrejas e membros a manterem-se em constante estado de vigilância e oração, zelando com rigor pela promoção de ambientes seguros e protegidos no convívio comunitário e social.”
Nota da defesa
O escritório Ricardo Almeida Advogados, responsável pela defesa, divulgou nota sobre o caso. Leia a íntegra:
“Diante da ampla repercussão midiática, o escritório Ricardo Almeida Advogados, responsável pela defesa, esclarece que I.S.C. apresentou-se espontaneamente nesta semana para cumprimento do mandado de prisão preventiva, embora a defesa discorde da necessidade da medida.
Desde sua apresentação, I.S.C, vem colaborando com o esclarecimento dos fatos sob apuração.
Voluntariamente, firmou compromisso de não manter contato com testemunhas ou declarantes relacionados às investigações, além de ter entregue seu aparelho celular e passaporte às autoridades competentes. Mesmo discordando da necessidade da medida extrema, permanece à disposição da Justiça e seguirá colaborando com o regular esclarecimento dos fatos.
A defesa ressalta, ainda, a necessidade de cautela na divulgação e reprodução de informações acerca do caso, especialmente para que não sejam atribuídas aos fatos circunstâncias ou condutas que não integram as imputações objeto da investigação, inclusive alegações de emprego de violência, ameaça ou outras formas de constrangimento que não constituem objeto da apuração.
Em razão do segredo de justiça e das particularidades do caso, a defesa informa que se manifestará sobre o mérito das investigações exclusivamente nos autos, preservando o sigilo das informações e a identidade das pessoas envolvidas.”
Como denunciar
Casos de suspeita de abuso sexual contra crianças e adolescentes devem ser comunicados ao Conselho Tutelar do município onde a vítima reside. O órgão é responsável por garantir o cumprimento dos direitos da infância e da adolescência e acionar as medidas protetivas cabíveis.
Em situações de emergência, a Polícia Militar atende pelo número 190, e o Disque 100 recebe denúncias relacionadas a violações de direitos humanos em todo o país.
Este espaço permanece aberto para manifestações das partes interessadas sobre o assunto.

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