O Jornal do Dia publica artigo, assinado por Rian Santos, de 4 de novembro de 2022.
No artigo “Uchoa quer um golpe”, uma prévia do que se passou no último domingo, em Brasília, capital federal.

Jouberto Uchoa, reitor da Universidade Tiradentes, abusou da própria sorte. Podre de rico, ele poderia desfrutar dos bolsos bem fornidos sem fazer caso da enorme influência exercida nos círculos mais reservados da aldeia. Preferiu, no entanto, flertar com o obscurantismo. E descobriu, assim, que as mesuras dos poderosos não afetam a etiqueta de quem tem as mãos calejadas pelo trabalho duro. Ao rés do chão, Uchoa é um homem igual a todos os outros, apto a responder por eventuais crimes e erros – Uchoa é um cidadão imputável.
Explica-se: O senhor reitor resolveu tomar parte na mímica golpista dos bolsonaristas. E, desde então, é castigado sem dó nem piedade nas redes sociais.
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Uchoa emprestou a reputação construída durante décadas de trabalho digno à pantomina dos bolsonaristas. Assemelha-se, assim, a uma Cássia Kiss, igual a todos os doidivanas sem discernimento assombrados pela ameaça vermelha do comunismo. Uchoa perfilou-se ao lado de quem faz palanque de templos religiosos, confunde liberdade de expressão com a fabricação de Fake News e acredita piamente em mamadeiras de piroca.
Uchoa, um empresário sob todos os aspectos bem sucedido, é também um educador, alguém com vaidade intelectual suficiente para envergar o fardão de academias literárias diversas. Embora não tenha redigido um único parágrafo de grande relevo, ostenta o título de imortal da Academia Sergipana de Letras. Sabe-se agora, contudo, para espanto geral, que o senhor reitor foi seduzido pelo apelo do pensamento mais primitivo, o canto do arbítrio, a ladainha da força bruta.







