Da redação*

O Ministério da Saúde suspendeu nesta segunda-feira (8) a imunização contra a dengue com a vacina desenvolvida pelo Instituto Butantan. A decisão foi motivada por 42 casos de reações adversas registradas após a vacinação, dos quais três resultaram em internação e dois evoluíram para óbito.

Vacina da dengue do Instituto Butantan
Renato Rodrigues|Butantan

O ministro Alexandre Padilha afirmou, em coletiva de imprensa (vídeo mais abaixo), que não é possível, por ora, concluir que os eventos adversos foram causados diretamente pelo imunizante. Um comitê de especialistas será formado para investigar os casos.

“Essa descontinuidade tem um objetivo que é a ação de precaução, para que Ministério da Saúde, Anvisa [Agência Nacional de Vigilância Sanitária] e Butantan aprofundem a investigação nos 42 casos, que são episódios de reações adversas da vacina, para buscar fatores de risco nessas pessoas, fazer uma espécie de estudo de caso-controle”, disse Padilha.

O ministro acrescentou que a pasta mantém “total confiança na capacidade institucional do Butantan” e reforçou a importância da vacinação para a redução e eliminação de doenças no país.

Qdenga não é afetada

A medida se aplica exclusivamente à vacina do Butantan. O imunizante Qdenga, produzido pelo laboratório Takeda e igualmente disponível pelo Sistema Único de Saúde (SUS), segue sendo aplicado normalmente.

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Até 30 de maio, pouco mais de 500 mil doses da vacina do Butantan haviam sido administradas no país. O imunizante foi incorporado ao SUS em janeiro deste ano, dentro de uma estratégia-piloto voltada a avaliar o impacto do produto na dinâmica populacional da dengue.

Como era feita a vacinação

A estratégia concentrou a aplicação em três municípios: Botucatu (SP), Maranguape (CE) e Nova Lima (MG). Nessas localidades, o público-alvo é composto por adolescentes e adultos de 15 a 59 anos, faixa etária aprovada para o Programa Nacional de Imunizações (PNI). Em março, uma ação de vacinação foi realizada também na região de Araguaína (TO).

Em fevereiro, o SUS passou a vacinar profissionais de saúde da atenção primária com o imunizante do Butantan. A previsão era imunizar 1,2 milhão de trabalhadores da linha de frente, incluindo profissionais de unidades básicas de saúde.

O Ministério da Saúde esclareceu que a suspensão não invalida a eficácia da vacina e que as pessoas já vacinadas continuam protegidas contra a dengue.

A decisão, recomendada pelo sistema de farmacovigilância, abre prazo para estudos adicionais que possam identificar eventuais fatores de risco.

(*) Com informações de Andreia Verdélio (Agência Brasil)

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