O risco de um apagão de internet em Sergipe entrou em discussão nesta quarta-feira (15) durante audiência pública na Assembleia Legislativa. O deputado estadual Georgeo Passos (Republicanos) conduziu o debate sobre as novas exigências da Energisa para o compartilhamento de postes utilizados pelas empresas de telecomunicações no estado.

Entre as exigências da companhia estão a apresentação de projetos técnicos com cálculo de esforço, o pagamento de mensalidade por poste e a limitação da ocupação, com máximo de cinco cabos por unidade. Cabos inativos ou rompidos também devem ser removidos.
Embora os postes pertençam à União, sua administração é feita pela concessionária de energia.
O que diz a Energisa
A empresa informou que, desde julho de 2025, as companhias ocupantes foram notificadas sobre os procedimentos de adequação e identificação de suas redes. Segundo a Energisa, a medida é necessária para permitir a rastreabilidade das instalações, combater ocupações clandestinas e irregulares e facilitar a fiscalização da infraestrutura compartilhada.
Os provedores regionais respondem atualmente por cerca de 85% da internet distribuída em Sergipe. O setor gera mais de 9 mil empregos diretos e indiretos no estado.
Representantes das empresas afirmam que, caso não haja entendimento entre as partes, existe o risco de interrupção dos serviços, com prejuízos para empresas, trabalhadores e usuários.
Posição dos empresários
Os empresários do setor defendem o combate às ligações clandestinas e concordam que elas devem ser removidas. Alegam, porém, que as mudanças nas exigências vêm ocorrendo de forma constante, o que dificulta a adequação das empresas e eleva os custos da atividade.
Passos destacou que as regras atualmente exigidas pela Energisa estariam sendo aplicadas apenas em Sergipe, situação que, segundo ele, levanta dúvidas quanto à legalidade da medida. De acordo com o parlamentar, aproximadamente 248 empresas poderão ser impactadas.
Alerta sobre empregos
O presidente do Sindicato dos Provedores de Internet de Sergipe, Pedro de Araújo Neto, alertou para os riscos econômicos e sociais caso o impasse não seja solucionado.
“Essa audiência é de extrema importância para os provedores. É a oportunidade de sermos ouvidos e de mostrarmos o que determina a legislação e o que vem sendo exigido pela concessionária. Existe o risco de um apagão de internet caso essas novas regras sejam aplicadas. Mais de 9 mil empregos podem ser comprometidos”, afirmou.
Pedro de Araújo Neto
Georgeo Passos afirmou que busca uma solução para o impasse e alertou para os reflexos que um eventual apagão de internet pode causar em Sergipe. “As constantes mudanças nas regras aumentam os custos das empresas, colocam empregos em risco e podem comprometer o acesso da população à internet. Nosso objetivo é construir um consenso e encontrar uma solução que garanta segurança jurídica, preserve os empregos e assegure a continuidade desse serviço essencial para os sergipanos”, declarou.
O debate reuniu representantes dos provedores, da Anatel e da Assembleia Legislativa de Sergipe. A Energisa foi convidada para participar, mas não enviou representante.
Este espaço permanece aberto para manifestações das partes interessadas sobre o assunto.
(*) Com informações de assessoria parlamentar

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