Da redação

Um homem que atuava como assessor de investimentos em uma empresa de Aracaju foi localizado nesta quarta-feira (27) na cidade de Río Branco, no Uruguai, após ação conjunta da Polícia Civil de Sergipe, da Polícia Federal e da Interpol.

De olho no dinheiro público
Montagem: NE Notícias

Ele é investigado por golpes financeiros que somam mais de R$ 3,5 milhões e teria lesado cerca de 20 vítimas.

O suspeito não teve a identidade revelada. Segundo as autoridades, ele convencia clientes a realizar supostos investimentos com promessa de rendimentos mensais de até 2%, captando os recursos diretamente em sua conta pessoal.

Como funcionava o esquema

De acordo com a delegada Suirá Paim, as investigações começaram em 2024, quando a Delegacia de Defraudações instaurou inquérito para apurar o caso. As vítimas relataram que foram convencidas a depositar recursos na conta pessoal do investigado.

“As vítimas realizaram investimentos financeiros no qual o suspeito prometia rendimentos de até 2% ao mês. Com o avanço das investigações, ficou constatado que elas foram convencidas a aplicar os valores na conta pessoal do suspeito”, afirmou a delegada.

Suirá Paim

A experiência no mercado financeiro foi a principal ferramenta usada pelo investigado para conquistar a confiança dos clientes. “O fato dele já ter passado por diversas instituições financeiras, ter uma vasta carteira de clientes e um escritório aqui na cidade [Aracaju] serviu para atrair a confiança das vítimas”, disse Suirá Paim.

As vítimas acreditavam estar investindo em ações e em um suposto fundo coletivo criado pelo suspeito. A desconfiança surgiu quando os rendimentos deixaram de ser pagos e os investidores não conseguiram resgatar os valores aplicados.

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A delegada Lauana Guedes detalhou que os clientes “tinham uma certa confiança no investigado e, por isso, chegaram a aportar esses valores de modo paulatino”.

Os pagamentos eram feitos via Pix para a conta pessoal do investigado ou em dinheiro em espécie. Os rendimentos prometidos inicialmente eram de 1,5% ao mês, mas os repasses passaram a ser constantemente adiados.

“Ele vinha com variadas desculpas, então as vítimas registraram diversos boletins de ocorrência”, afirmou Lauana Guedes (veja vídeo mais abaixo).

Busca internacional e localização no Uruguai

Durante as investigações, o suspeito foi intimado para prestar esclarecimentos, mas não compareceu à delegacia e também não foi localizado nos endereços cadastrados em Aracaju. “Foram realizadas diversas buscas e diligências sem sucesso”, destacou Suirá Paim.

O delegado Jorge André Santos Figueiredo informou que, após o avanço das investigações, a Polícia Civil descobriu que o investigado havia deixado o país.

O Núcleo de Cooperação Internacional da Polícia Federal em Sergipe foi acionado para incluir o nome do suspeito na difusão vermelha da Interpol, alerta que aciona a busca ativa em todos os países membros da organização.

“Ele passou a ser procurado em 196 países membros e, após outras informações, foi localizado na cidade de Río Branco, no Uruguai, vizinho da cidade de Jaguarão, no Rio Grande do Sul”, explicou o delegado.

Jorge André Santos, delegado

Extradição e próximos passos

Segundo o delegado, agora serão adotados os procedimentos judiciais para viabilizar a extradição do investigado ao Brasil. “Toda a tramitação dessa extradição é feita por meio de um pedido judicial feito pela Justiça Brasileira e deferido também pela Justiça do Uruguai”, afirmou.

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As investigações também apontaram que a empresa na qual o suspeito trabalhava, cujo nome não foi divulgado pela polícia, não tinha conhecimento das negociações paralelas realizadas por ele.

“A empresa ficou surpresa quando tomou conhecimento desses fatos e ele foi demitido também. A empresa foi uma vítima indireta e os clientes que aportaram esses recursos foram vítimas diretas”, concluiu a delegada Lauana Guedes.

Com informações da SSP