Foram 16 anos de espera até que uma nova geração recolocasse a Espanha no topo do futebol mundial. Neste domingo, a seleção espanhola, conhecida como Fúria, sagrou-se campeã da Copa do Mundo pela segunda vez ao vencer a Argentina, até então atual detentora do título, por 1 a 0.

O confronto, decidido somente na prorrogação após 120 minutos de puro “amasso”, colocou a seleção europeia no grupo seleto de bicampeões mundiais, ao lado de Uruguai e França. Acima desse patamar estão apenas as seleções com três ou mais títulos, caso da própria Argentina e do maior vencedor da competição, o Brasil, com cinco taças.
Herói saiu do banco
O gol do título foi marcado por Ferran Torres, que entrou no decorrer da partida. O atacante de 26 anos é formado nas categorias de base do Valência e já defendeu o Manchester City, da Inglaterra, antes de se transferir para o Barcelona.
A seleção espanhola teve a sexta menor média de idade do torneio, com 26,2 anos, o que projeta a equipe como favorita para 2030, quando o país sediará a competição ao lado de Portugal e Marrocos.
Nomes como os meio-campistas Gavi e Pedri e o atacante Nico Williams sequer terão completado 30 anos na próxima edição. Até jogadores mais experientes, como o volante Rodri, que terá 34 anos, e o lateral Marc Cucurella, de 32, podem estar em campo no próximo Mundial.
Lamine Yamal faz história
Aos 19 anos, Lamine Yamal se tornou o campeão mundial mais jovem desde Ronaldo, que tinha 17 anos no tetracampeonato de 1994. A comparação, porém, guarda uma diferença: o brasileiro não entrou em campo naquela campanha, enquanto Yamal atuou como titular e principal referência ofensiva da equipe espanhola, apesar de atuação discreta na decisão deste domingo.
Com o título, o atacante passou a ocupar a quarta posição entre os campeões mundiais mais jovens da história. Pelé segue na liderança, com 17 anos e 249 dias quando venceu a Copa da Suécia, em 1958.
Dois marcos inéditos
A conquista deste domingo rendeu à Espanha dois recordes inéditos. Pela primeira vez, um país garante simultaneamente os títulos mundiais masculino e feminino. A seleção espanhola havia vencido a Copa do Mundo feminina em 2023, disputada na Austrália e na Nova Zelândia. No próximo ano, quando o Brasil sediar a edição feminina, caberá às espanholas tentar manter a unificação das taças.
A Espanha também se tornou a seleção com a maior sequência de invencibilidade da história do futebol, marca alcançada justamente em uma final de Copa do Mundo. Com o triunfo sobre a Argentina, são 38 partidas sem derrotas, número que supera a sequência da Itália, registrada entre 2018 e 2021. A série começou contra o Brasil comandado por Dorival Júnior, em empate por 3 a 3, disputado em Madri em 26 de março de 2024.
Despedida de Messi
Do lado argentino, a frustração ficou por conta do adiamento do sonho do tetracampeonato e da tentativa de superar a eliminação da Copa de 1994, também realizada nos Estados Unidos, quando Diego Maradona foi suspenso do torneio após exame antidoping positivo.
A decisão também marcou a despedida de Lionel Messi das Copas do Mundo. Aos 39 anos, disputando o 6º Mundial da carreira, o camisa 10 encerra sua trajetória na competição com um título, conquistado em 2022, dois vices, em 2014 e 2026, e o posto de segundo maior artilheiro da história do torneio, com 21 gols marcados.
Messi liderou a artilharia da Copa durante boa parte da competição, isolado na ponta desde a estreia, quando marcou na vitória por 3 a 0 sobre a Argélia. No último sábado (18), porém, foi ultrapassado pelo atacante francês Kylian Mbappé, que chegou a 22 gols na derrota da França por 6 a 4 para a Inglaterra, em Miami, na disputa pelo terceiro lugar.
No fim das contas, com apenas um gol sofrido em toda a Copa do Mundo de 2026, a Espanha ergueu o caneco neste domingo.
(*) Com informações de Lincoln Chaves, EBC

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