Gilmar Carvalho*

A taxa de desemprego no Brasil caiu para 5,3% no trimestre encerrado em julho, o menor patamar já registrado nesse período da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua desde o início da série histórica, em 2012, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgados nesta quinta-feira (27).

Trabalhador na indústria
CNI/José Paulo Lacerda

No trimestre anterior, encerrado em abril, a taxa estava em 5,8%. No mesmo período do ano passado, era de 5,6%.

A Pnad revelou que o número de pessoas ocupadas atingiu 103,3 milhões, também recorde da série histórica. Os empregados com carteira assinada, excluindo trabalhadores domésticos, somaram 39,4 milhões, o maior número já registrado.

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Os trabalhadores sem carteira assinada eram 13,8 milhões, crescimento de 3,6% na comparação com o período até abril, acréscimo de 477 mil pessoas.

O que puxou a alta

O analista da pesquisa William Kratochwill atribuiu o crescimento da ocupação no trimestre ao setor de construção civil. “A maioria aconteceu entre pedreiros e trabalhadores elementares da construção de edifícios”, afirmou.

Kratochwill acrescentou que mudanças tecnológicas têm facilitado o acesso ao trabalho.

“Hoje em dia, com telefone e bicicleta, você consegue trabalhar. A tecnologia está mudando o mercado de trabalho”, disse.

William Kratochwill

A ocupação no agrupamento de transporte, armazenagem e correio, que inclui entregadores de aplicativo, cresceu 5,4% na comparação com o mesmo trimestre de 2025.

Desocupados e informalidade

O contingente de desocupados ficou em 5,8 milhões, queda de 503 mil pessoas (recuo de 8%) em relação ao trimestre de fevereiro a abril.

A taxa de informalidade, que mede a proporção de trabalhadores informais na população ocupada, foi de 37,5%, ante 37,2% até abril.

O IBGE classifica como informais os trabalhadores sem carteira, os autônomos e os empregadores sem CNPJ, pessoas sem direito a seguro-desemprego, férias e 13º salário.

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A população desalentada, formada por pessoas que desistiram de procurar emprego por acreditar que não conseguiriam uma vaga, somou 2,3 milhões, queda de 9,7% no trimestre.

O rendimento médio do trabalhador ficou em R$ 3.762, recuo de 0,7% em relação ao período até abril. O IBGE classifica a diferença como “estável”.

Como a pesquisa é feita

A Pnad Contínua apura o comportamento do mercado de trabalho para pessoas com 14 anos ou mais, considerando todas as formas de ocupação, com ou sem carteira assinada, temporários e autônomos.

TV Globo / Reprodução

Pelo critério do IBGE, só é considerada desocupada a pessoa que efetivamente buscou uma vaga nos 30 dias anteriores à pesquisa. São visitados 211 mil domicílios em todos os estados e no Distrito Federal.

O menor desemprego já registrado pela Pnad foi 5,1%, no último trimestre de 2025. A maior taxa da série foi 14,9%, atingida nos trimestres encerrados em setembro de 2020 e março de 2021, ambos durante a pandemia de covid-19.

(*) Com informações Bruno de Freitas Moura, Agência Brasil

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