Pesquisadores da Fiocruz e da Visuri, instituições referências em pesquisa e desenvolvimento de tecnologia para a saúde, desenvolveram um dispositivo portátil, o OmniLAMP, para diagnóstico molecular da Covid-19, pela detecção do material genético do Sars-CoV-2. Por meio da técnica RT-LAMP (transforma RNA em DNA e o amplifica isotermicamente), o equipamento possibilita testagem com segurança semelhante à técnica padrão ouro PCR (reação em cadeia da polimerase), mas com menor custo e tempo.

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Josué Damacena (IOC/Fiocruz)

A detecção do RNA viral se dá por meio da amplificação isotérmica do material genético do vírus encontrado em amostras de swab – tipo cotonete, nasal e orofaríngeo. Ao final da reação, as amostras positivas apresentam um sinal de saída colorido, que é captado e interpretado automaticamente pelo software do equipamento. O sistema tem ainda georreferenciamento e conexão com a internet. Esses recursos permitem o armazenamento dos dados nos servidores web da empresa, para o acompanhamento remoto do que está acontecendo em cada um dos dispositivos quando esses estiverem em operação.

Com relação ao resultado do teste, ele pode ser acessado pelo celular, por meio da utilização de um aplicativo e é obtido em 30 minutos, diferentemente de outras técnicas cujo processo de extração, amplificação e tratamento dos dados podem levar seis horas até a liberação do resultado, pois é necessário o pré-processamento das amostras. Outra vantagem do OmniLAMP é que ele necessita de uma estrutura laboratorial de baixa complexidade, além do uso de reagentes diferentes dos utilizados no teste PCR.

De acordo com o pesquisador da Fiocruz Minas Rubens do Monte, a tecnologia possibilita a descentralização das testagens, que pode ser feita em pequenos laboratórios, clínicas e hospitais em todo o Brasil. “Como uma ferramenta point of care (PoC), é possível apresentar o resultado de forma automática e intuitiva e, portanto, pode ser utilizado por pessoal minimamente treinado, dando chance de o teste chegar a quem mais precisa”, reforça Monte. Importante destacar, segundo ele, que já nas primeiras amostras do ensaio clínico a sensibilidade desse teste foi de 97% e a especifidade de 100%, dando confiabilidade às ações de quem se valer desta inovadora ferramenta de diagnóstico portátil.

De acordo com Henrique Martins, CEO da Visuri, empresa co-desenvolvedora do projeto, o equipamento possui tecnologia Internet of Things (IoT), que permite o envio dos resultados para uma aplicação WEB desenvolvida para permitir o armazenamento dos dados em nuvem. “Este sistema torna possível o acompanhamento, em tempo real, de curvas de tendências e outros relatórios que podem ser utilizados por órgãos governamentais como ferramenta de auxílio na elaboração de estratégias para o combate a pandemia”, explica.

Ciência por demanda social

O OmniLAMP é fruto de uma parceria público-privada. A pesquisa teve início em 2018, a partir da aprovação do projeto no 1º edital de pesquisa do Instituto Serrapilheira. Na ocasião, os estudos da técnica RT-LAMP estavam direcionados para o diagnóstico de arboviroses (dengue, zika, chikungunya) e de leishmaniose. Em 2019, os estudos contaram com recursos do programa Inova Fiocruz e o projeto foi premiado com o segundo lugar em soluções inovadoras para o Brasil no InovaLabs, um programa de pré-aceleração da Biominas Brasil em parceria com a Fiocruz. Tendo em vista o novo cenário mundial e a grande necessidade por testes para a Covid-19, em março de 2020, a equipe direcionou todos os esforços para a detecção do Sars-CoV-2. As premissas básicas da força tarefa foi adaptar a tecnologia para disponibilizar um teste eficiente, mais rápido, mais barato e que pudesse ser realizado em qualquer região do país.

Para o virologista Pedro Augusto Alves, pesquisador da Fiocruz Minas, ferramentas diagnósticas utilizadas em pequenos municípios podem direcionar de maneira mais efetiva o controle epidemiológico local e regional. No caso dos arbovírus, por exemplo, é difícil identificar, somente com diagnóstico clínico, a diferença entre os sintomas da dengue e zika. “A realização de um teste seguro e com agilidade é fundamental para definir o tipo de tratamento adequado, ainda no momento de sintomas do paciente, o que permite um melhor direcionamento da terapêutica e evita gastos com tratamentos desnecessários”, explica.

Além do financiamento do Instituto Serrapilheira e do Programa Inova, da Fiocruz, o desenvolvimento do OmniLAMP contou com recursos da Fundação de Amparo à Pesquisa de Minas Gerais (Fapemig), secretarias de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais e de Saúde de Minas Gerais, Finep, Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações.

Mercado

O dispositivo computacional portátil e os kits de teste estão em fase final de certificação na Anvisa. Estão em andamento as discussões para que, em se obtendo o registro, os kits de testes sejam produzidos pelo Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos (Bio-Manguinhos/Fiocruz), uma das unidades fabris da Fundação no Rio de Janeiro. Já o dispositivo portátil será produzido pela Visuri, em Minas Gerais.

“Com menor custo e facilidade na realização do teste, em relação a outros dispositivos para diagnóstico molecular, o OmniLAMP, é a tecnologia ideal para ser utilizada em qualquer município, empresas e ambientes de grande necessidade de testagens em massa como aeroportos, por exemplo, em função da facilidade da logística e usabilidade”, explica Henrique Martins.

Com o objetivo de garantir o cumprimento das normativas de segurança e de saúde no combate ao novo coronavírus, o Governo do Estado vai intensificar as fiscalizações durante este fim de semana dos dias 05 e 06 de setembro, bem como no feriado da próxima segunda-feira, 07. 

A Polícia Militar, por meio do Comando de Polícia Militar da Capital (CPMC), irá percorrer diversas áreas da capital, que costumam reunir uma maior quantidade de pessoas, para reforçar o cumprimento do decreto governamental de número 40.615 (15 de junho de 2020).

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Governo acompanha reabertura de bares e restaurantes na Orla de Atalaia – Divulgação

A intenção é reforçar o que diz respeito aos dias e horários de funcionamento de estabelecimentos, bem como para evitar e/ou desfazer a formação de possíveis aglomerações em pontos constantemente fiscalizados, como a região da Cinelândia e as imediações do Farol do bairro Farolândia.

“São localidades onde há constante aglomeração nos fins de semana. A CPMC tem operação já em andamento desde a quinta-feira (03) e continuará no final de semana para evitar aglomerações e também abusos sonoros”, explicou o comandante da Polícia Militar da Capital, Coronel Neto.

Cumprimento do decreto governamental

De acordo com o documento, os bares e restaurantes podem funcionar de terça a domingo, das 6h às 22h, com restrição para entrada de novos clientes a partir deste horário, no entanto, os clientes que já estiverem dentro do estabelecimento podem permanecer até encerrar seu consumo. Os estabelecimentos também devem respeitar diversas regras no que diz respeito ao distanciamento social e higienização de ambientes.

Para garantir o cumprimento do que compete à área da Saúde, durante toda a semana, as equipes de Vigilância Sanitária da Secretaria de Estado da Saúde (SES) também atuaram no sentido de fiscalizar bares e restaurantes tanto da capital, como também das cidades do interior do estado. Foram realizadas ações em diversos bairros, assim como em praças de alimentação de centros comerciais.

O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, afirmou que a instituição deverá autorizar o funcionamento do recurso de pagamentos e transferências pelo Whatsapp.

“Projetos como estes devem passar por um processo de aprovação. Quando o Whatsapp propôs o arranjo, entendemos que era um arranjo grande. Dissemos que como era grande e tinha várias dimensões, pedimos que entrassem no rito de aprovação como ocorre normalmente. E será aprovado”, afirmou o presidente do BC, em entrevista à rede de TV estadunidense Bloomberg.

Segundo ele, a análise do banco envolve a identificação de eventuais problemas que a operação possa trazer em sua implantação no país, tanto no aspecto concorrencial quanto nos direitos dos usuários.

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Marcello Casal Jr. / Agência Brasil

“As duas dimensões que estamos focando é promover competição e proteger os dados dos cidadãos. Queremos competição, queremos que todas as big techs [nome em inglês dado às grandes empresas de tecnologia] entrem no Brasil. Você pode ter um sistema que comece competitivo, mas no fim acabe não tendo esta característica”, alertou na entrevista.

Em seu anúncio, realizado em junho, a empresa declarou que o novo recurso permitiria transferir dinheiro e fazer compras em estabelecimentos por meio do aplicativo de mensagens, com a proteção da plataforma Facebook Pay.

No dia 23 de junho, o Banco Central suspendeu o início do projeto argumentando que teria de estimar os riscos. De acordo com o órgão, sem uma avaliação, o serviço poderia trazer prejuízos ao mercado brasileiro.

Em nota à Agência Brasil, o Whatsapp afirmou que está em diálogo com o BC. Quando o recurso for autorizado, os usuários que desejarem deverão ativar o Facebook Pay no smartphone, informando o cartão de crédito e débito e definindo uma senha (um PIN). Para enviar o dinheiro, será preciso clicar em um contato e acionar a ferramenta “anexar”. A transação será uma das alternativas de anexo.  

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O uso do meio de pagamento foi anunciado no dia 15 de junho. No primeiro momento, a novidade estaria disponível para clientes do Banco do Brasil, Nubank e Sicredi que têm cartão de crédito ou débito das bandeiras Visa e Mastercard. As transações seriam processadas pela Cielo e não preveem custos para consumidores e pessoas físicas. Já as empresas terão de arcar com uma taxa por transação recebida. As pequenas empresas são um dos principais focos do lançamento. Foi então que o Banco Central travou o lançamento da empreitada.

“Mais de 10 milhões de micro e pequenas empresas movimentam a economia brasileira, e já é muito comum mandar um zap a essas empresas para tirar dúvidas sobre produtos e fazer pedidos. Com o recurso de pagamentos no WhatsApp, além de ver os produtos no catálogo, os clientes também poderão fazer o pagamento do produto escolhido sem sair do WhatsApp. Ao simplificar o processo de pagamento, esperamos ajudar a trazer mais empresas para a economia digital e gerar mais oportunidades de crescimento”, diz o comunicado do Whatsapp.

Na ocasião, a Agência Brasil ouviu especialistas e pesquisadores no tema que destacaram os impactos da entrada desse agente econômico no mercado e os cuidados a serem tomados por correntistas e usuários da plataforma.

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Pastor Everaldo

O ministro Benedito Gonçalves, do Superior Tribunal de Justiça, converteu em preventiva a prisão temporária do Pastor Everaldo.

O mandachuva do PSC está preso acusado de participar de esquema de desvio de recursos da Saúde no Rio de Janeiro.

Atendeu a um pedido da PGR.

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SSP

Um policial penal (agente penitenciário) conseguiu evitar assalto a uma loja na avenida Desembargador Maynard, em Aracaju, nesta sexta-feira, 4.

O policial penal estava no local, reagiu e atirou contra os elementos.

Um elemento foi ferido e socorrido por equipe do Samu, que o levou para o HUSE.

O outro evadiu-se do local.

Como NE Notícias informou, o PSD anunciou o nome da delegada Katarina Feitoza como companheira de chapa do prefeito de Aracaju, Edvaldo Nogueira (PDT).

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Assessoria / Arquivo

A indicação foi feita pelo governador Belivaldo Chagas (PSD).

O chororô dissimulado é do deputado federal Fábio Mitidieri (PSD), que foi até o limite de suas forças políticas para que a indicação fosse a do nome de Jorginho Araujo, ex-secretário municipal.

Como NE Notícias antecipou, grupo de aliados de Edvaldo, com a participação do ex-governador Jackson Barreto (MDB não se sabe até quando) forçou a barra o suficiente para que o nome de Katarina fosse escolhido.

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Reprodução

Se Fábio Mitidieri topasse ser candidato a vice-prefeito – e só nesse caso -, não haveria resistência.

A confirmação do nome de Katarina, antecipado COM EXCLUSIVIDADE, por NE Notícias, é reconhecimento do grupo ao potencial eleitoral da também delegada Danielle Garcia (Cidadania), adversária de Edvaldo.

Em 2019, a proporção da população sergipana que tinha acesso ao serviço de planos de saúde (médico ou odontológico) foi de 20,7%, o que representa 476 mil pessoas. Analisando o nível de instrução, constatou-se que quanto mais elevado, maior o acesso ao serviço de planos de saúde: 67,8% de pessoas com acesso dentre as de nível superior completo, noutro extremo, 9,8% com acesso dentre aquelas sem instrução ou com ensino fundamental incompleto.

Os dados são da Pesquisa Nacional de Saúde 2019, divulgados nesta sexta-feira (04) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e analisados pelo Observatório de Sergipe.

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Arquivo

Principais resultados:

• Média de moradores por domicílio caiu de 3,2 para 2,9 a entre 2013 e 2019;

• 93% dos domicílios de Sergipe têm acesso à água canalizada;

• Cerca de 35% dos domicílios sergipanos têm cachorro e 25%, gato

• Percentual de domicílios com cães e gatos vacinados diminui de 74,2% para 62,8% em seis anos;

• 80,4% dos domicílios estavam cadastrados em Unidade de Saúde da Família;

• 20,7% da população possuíam algum plano de saúde;

• Mais de 40% da população consultou um dentista. 

Os partidos PROS e PT confirmaram nesta sexta-feira, 4, aliança para as eleições municipais em Aracaju, repetindo o que já fizeram em Nossa Senhora do Socorro.

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Freepik

O presidente do PROS em Sergipe, Sérgio Viana, não deixou dúvida:

“Nós estamos chegando para mudar, para fazer a diferença. A semelhança entre PT e PROS é a militância que é guerreira, e vamos com tudo! Esse casamento há de perdurar.”

O senador Rogério Carvalho (PT) não escondeu sua felicidade com a aliança:

“Palanque grande demais significa pouco pro povo. Palanque enxuto, consistente e que tem lado, aqui, você pode acreditar! E vai sair coisa boa para a população.”

Nas últimas 24 horas, o Brasil registrou 855 mortes por Covid-19, chegando ao total de 125.584 óbitos.

4.086.716 foram infectados pela doença.

Situação nos Estados:

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Jochen Sand / Getty Images

Subindo: AM, RO e TO.

Em estabilidade, ou seja, o número de mortes não caiu nem subiu significativamente: PR, SP, GO, MS, MT, PA, RR, CE e MA.

Em queda: RS, SC, ES, MG, RJ, DF, AC, AP, AL, BA, PB, PE, PI, RN e SE.

Ao simular renúncia a cargos que não existem, fora do imaginário popular, um grupo de procuradores da franquia paulista da “lava jato” tentou imputar à nova chefe do 5º Ofício Criminal da Procuradoria da República em São Paulo, Viviane de Oliveira Martinez, a criação de entraves ao avanço das investigações. Mas deixaram de mencionar que a maior contrariedade do grupo com a procuradora Viviane foi ela ter desvendado e demonstrado os métodos do grupo: a distribuição viciada de processos e o desrespeito ao princípio do promotor natural.

O método adotado pela “lava jato” de São Paulo para abocanhar processos é contestado desde que a força-tarefa foi criada, em 2017, e o próprio CNMP teve que freá-lo. Autorizado por Rodrigo Janot, o esquema desleal foi ressuscitado e durou até agora. Mas isso os procuradores não disseram no ofício enviado ao procurador-geral da República, Augusto Aras, nesta quarta-feira (2/9) com o pedido de desligamento.

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Ministério Público Federal de São Paulo

Em reportagem publicada em 10 de julho deste ano, ConJur revelou documento em que Viviane Martinez demonstra o modus operandi da franquia paulista da “lava jato”. De acordo com a procuradora, em ofício remetido ao PGR, embora tenha sido concebida apenas para fornecer auxílio a procuradores naturais que atuam em determinados feitos, a investigação em SP funciona como uma unidade que concentra e distribui processos segundo critérios que não têm previsão legal.

Martinez diz que, desde que assumiu a chefia do 5º Ofício, em março deste ano, constatou que há “um contingente muito grande de processos que foram remetidos à FTLJ-SP (força-tarefa da “lava jato” em São Paulo) sem passar pela livre distribuição, dos quais muitos não são conexos na forma estabelecida na PR-SP e deveriam ser livremente distribuídos”. 

A prática, que viola os preceitos constitucionais de isonomia, impessoalidade e do promotor natural, ocorria de modo indiscriminado desde 2017, quando ficou determinado pela então chefe do 5º Ofício, Anamara Osório da Silva, que qualquer processo com a grife “lava jato” deveria ser diretamente remetido à força-tarefa. A partir daí, o grupo lavajatista passou a funcionar como uma espécie de filtro prévio à distribuição, decidindo quais feitos com a etiqueta “lava jato” deveriam, ou não, ser retidos. 

O fenômeno ganhou corpo — a “lava jato” paulista fagocitou o 5º Ofício. De acordo com o ofício enviado por Martinez a Aras, a “lava jato” paulista já concentrava no início deste ano o equivalente a 25% de todos os atos processuais sob responsabilidade dos seis ofícios mais antigos da capital paulista. 

O acervo, de 255 atos processuais — dos quais 98 são ações judiciais; 11 são procedimentos extrajudiciais e 46 são inquéritos policiais em andamento —, só é equiparável ao do 6º Ofício, que tem em suas mãos 214 atos.

O acervo do 6º Ofício, entretanto, é composto, em sua maioria, por investigações, não por ações judiciais e extrajudiciais. Quando apenas as ações são levadas em conta, os seis ofícios mais antigos de SP, juntos, têm um acervo de 142 processos, enquanto a “lava jato”, sozinha, tem 98. 

O narrado drible às regras ordinárias de distribuição fez com que a “força-tarefa” paulista se tornasse um centro gravitacional seletivo de casos. “Com uma autonomia investigativa própria, a FTLJ-SP, se continuar vinculada ao 5º Ofício Criminal da PR-SP, fará com que o acervo cresça em progressão geométrica”, prossegue Martinez. 

“Na hipótese de Vossa Excelência ter a intenção de manter a FTLJ-SP como um órgão de atuação central dos casos da ‘operação lava jato’ ou um órgão destinado a investigações autônomas e inteligência, me coloco à disposição para redistribuir os feitos que não foram livremente distribuídos ao 5º Ofício Criminal da PR-SP”, propõe a procuradora como solução ao acúmulo. 

A peça foi enviada a Aras em resposta a uma solicitação feita pelo PGR aos braços da “lava jato” no Paraná, São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília. Aras pediu o compartilhamento de dados estruturados e não-estruturados das unidades.

Em sua resposta, Martinez afirma que é “inconfundível a atuação do 5º Ofício Criminal” em relação à “lava jato”. Tanto é assim que, após ter pessoalmente recebido a requisição de Aras, Martinez encaminhou o pedido com “um mero ‘cumpra-se'”, mas foi, ato contínuo, “interceptada pelos colegas da força-tarefa”, que a “lembraram que a requisição era dirigida a eles”.

Agora, os demissionários que criaram um grupo isolado, inclusive com relação à chefe do 5º Ofício, dão a entender ao CNMP que foram prejudicados pela postura de uma procuradora que, ao fim e ao cabo, apenas está seguindo as normas.

Representação

modus operandi descrito por Martinez corrobora uma representação  assinada pelo procurador Thiago Lemos de Andrade e remetida ao Conselho Nacional do Ministério Público em 11 de março deste ano. 

Segundo o documento, os expedientes que chegam à PR-SP com o rótulo “lava jato” são direcionados à FTLJ-SP sem a prévia distribuição na unidade, em flagrante descumprimento às regras de organização interna aprovadas pelo Conselho Superior do MPF.

O estratagema consistiu em inventar um “extravagante Ofício Virtual”, que serve de pretexto para escapar dos preceitos constitucionais da isonomia, da impessoalidade e do promotor natural. 

Em julho, o CNMP apreciou a representação. Na ocasião, o conselheiro Marcelo Weitzel Rabello de Souza deferiu liminar ordenando que a “lava jato” paulista cessasse a distribuição viciada de processos. 

“Entendo que restou caracterizado neste momento preambular a figura do fumus boni juris, haja vista a existência de normas próprias a reclamarem a distribuição dos feitos naquela unidade paulista, diversa da que se propôs recentemente quando relacionadas a matérias com o timbre de lava jato”, afirmou na decisão. 

Distribuição viciada desde a origem

Segundo narrou Lemos de Andrade, em setembro de 2015, circulou na rede de mensagens eletrônicas da Procuradoria da República de SP (PR-SP) uma mensagem segundo a qual, a pedido da procuradora Anamara Osório Silva, à época chefe da PR-SP, autos de desmembramento da “lava jato” em outros estados deveriam ser enviados ao seu gabinete, ao invés de passarem pela livre distribuição. 

Após sua mensagem causar surpresa e reações contrárias entre os procuradores, os autos foram distribuídos livremente, via sorteio, ao 16º Ofício Criminal da PR-SP. O caso deu origem à apelidada “operação custo brasil”. 

Em 2018, outro e-mail veio à tona: todos os novos autos com menção à “lava jato” deveriam ser enviados à Anamara, não mais chefe da PR-SP, mas agora procuradora lotada no 5º Ofício Criminal. 

Dessa vez ela obteve êxito, tendo recebido a Notícia de Fato 1.34.001.004550/2017-19, um dos vários anexos desmembrados do acordo de delação premiada da construtora Odebrecht. Para receber apoio na condução da notícia de fato, Anamara solicitou à Procuradoria-Geral da República a criação do que se tornaria a força-tarefa da “lava jato”. 

Com isso, criou-se uma regra: desde então, os feitos que levam o rótulo “lava jato” são todos enviados à força-tarefa paulista, ainda que não haja nenhuma previsão permitindo tal concentração de processos. 

Na representação enviada ao CNMP, Lemos de Andrade diz que, se os procuradores respeitassem seus próprios critérios — admitindo que um mesmo ofício pudesse concentrar casos da “lava jato”, o que não é permitido, mas ainda assim é feito — os autos desmembrados deveriam, por prevenção, ser remetidos ao 16º Ofício, que recebeu o primeiro caso, e não ao 5º.