Gilmar Carvalho

A Polícia Civil de Sergipe deflagrou na manhã desta terça-feira (14) a Operação Pergaminho para desmantelar uma forte organização criminosa que atuava com tráfico de drogas, homicídios e lavagem de dinheiro.

Operação Pergaminho prende 21 por tráfico e lavagem em Sergipe
SSPSE

A força-tarefa cumpriu 70 ordens judiciais, tanto em Sergipe quanto em outros estados, atingindo desde a liderança da quadrilha até profissionais que ajudavam a acobertar os crimes.

A ação, coordenada pelo Centro de Operações Policiais Especiais (Cope), com apoio da Divisão de Inteligência e Planejamento Policial (Dipol), resultou no bloqueio de bens e na apreensão de material probatório.

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As equipes já retornaram ao ponto central da operação, com todos os alvos localizados e mandados de prisão cumpridos.

Durante as buscas, a polícia apreendeu celulares, notebooks, dinheiro em espécie, veículos de luxo, armas de fogo e munições. Também foram realizados bloqueios de contas bancárias e imóveis ligados aos suspeitos.

De acordo com o diretor do Cope, Dermival Eloi, o foco principal foi neutralizar o grupo criminoso que tinha base no conjunto Eduardo Gomes, em São Cristóvão, mas que já estendia seus braços por toda a região metropolitana, interior sergipano e outras partes do Brasil.

Fuga de liderança

As apurações tiveram início em 12 de dezembro de 2024, quando o líder do grupo ainda estava no sistema prisional sergipano. “No dia 16 de dezembro, ele rompeu a tornozeleira eletrônica e empreendeu fuga, mesmo estando em prisão domiciliar para tratamento de saúde. A partir disso, percebemos o forte poder operacional e logístico da organização criminosa”, explicou o delegado (vídeo mais abaixo.

A fuga movimentou a segurança de diversos estados. “Ele passou por Sergipe, Bahia, Goiás, Distrito Federal, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, até ser recapturado no Paraná, a poucos quilômetros da fronteira com o Paraguai, após intenso trabalho de inteligência”, acrescentou Eloi. Hoje, o sujeito segue no sistema penitenciário federal.

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Ao longo do trabalho policial, que durou mais de um ano, foram feitos levantamentos de campo, análises de cartórios e medidas cautelares autorizadas pela 2ª Vara Criminal de Aracaju. A força-tarefa contou ainda com o apoio da Força Integrada de Combate ao Crime Organizado (Ficco).

“Conseguimos identificar 21 integrantes da organização criminosa e cumprir 70 ordens judiciais, incluindo mandados de prisão, buscas e apreensões de bens, valores e veículos”, detalhou o diretor do Cope.

Médico, advogada e policial

O inquérito revelou uma estrutura altamente organizada e dividida. “Foi possível delinear todo o organograma da organização, com divisão de tarefas entre núcleo de liderança, financeiro, logístico, comunicação e até mesmo apoio externo”, pontuou o delegado.

Operação Pergaminho prende 21 por tráfico e lavagem em Sergipe. Ação cumpriu 70 mandados e desarticula grupo que contava com apoio de médico e policial
SSPSE|Divulgação

O que chamou a atenção da polícia foi a participação de profissionais liberais no esquema. “Havia um núcleo com advogada, médico e fisioterapeuta, que fraudavam documentos e laudos para beneficiar integrantes do grupo com medidas judiciais, como prisão domiciliar”, revelou.

Além disso, foi constatada a participação de um agente de segurança.

“Identificamos um policial civil que fornecia informações sigilosas e chegou a organizar escoltas para o líder da organização enquanto ele ainda estava em Sergipe”, afirmou Dermival Eloi.

As identidades dos envolvidos não foram divulgadas.

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De acordo com o dossiê da operação, a principal fonte de renda do grupo era o comércio de drogas, que resultava em homicídios e na necessidade de lavar o dinheiro ilícito. O líder assumiu o comando da facção após a morte de seus irmãos em confrontos com a polícia em Sergipe e na Bahia.

As prisões e buscas ocorreram nas cidades de Aracaju, São Cristóvão, Areia Branca e Tobias Barreto (em Sergipe); Salvador, Santo Antônio de Jesus e Irecê (na Bahia); e Catanduvas (no Paraná).

A Operação Pergaminho integra a Rede Nacional de Unidades Especializadas de Enfrentamento das Organizações Criminosas (Renorcrim), ligada ao Ministério da Justiça.

Veja as imagens da operação:

Imagens da Polícia Civil

NE Notícias, com informações da SSPSE