Os motoristas de Sergipe e da Bahia acordaram com uma má notícia nesta quinta-feira (19). A Acelen, empresa que administra a Refinaria de Mataripe (antiga Landulpho Alves), anunciou um novo e expressivo reajuste nos preços dos combustíveis, com vigência imediata.

O baque atinge diretamente as bombas: a gasolina tipo A sofre um acréscimo de R$ 0,4284 por litro, enquanto o diesel (S10 e S500) salta R$ 0,6604 por litro.
O impacto para o consumidor final promete ser severo. Um levantamento recente do Procon Aracaju já apontava valores significativos na capital sergipana, com a gasolina chegando a R$ 6,99 e o Diesel S10 a R$ 7,20.
Com o repasse do novo aumento da Acelen, a projeção é que o valor do litro do Diesel possa atingir os indigestos R$ 7,80.
A política de preços da empresa já vinha sendo alvo de escrutínio. Na semana passada, a Acelen foi notificada pelo Procon-BA para prestar esclarecimentos sobre as elevações praticadas nos últimos 30 dias.
Risco de greve
A disparada dos preços do petróleo no mercado internacional é impulsionada pelo agravamento da guerra envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã. O conflito pressiona os custos do diesel no Brasil, país que depende de importações para suprir cerca de 30% do seu consumo interno.

Para tentar conter a escalada e evitar uma iminente paralisação nacional de caminhoneiros, o Governo Federal fez uma proposta aos estados nesta quarta-feira (18). A União sugeriu que os governadores zerem temporariamente o ICMS sobre a importação de diesel, comprometendo-se a compensar 50% da perda de arrecadação estadual.
A medida se soma a ações anunciadas na semana passada, quando o governo já havia zerado tributos federais (PIS/Cofins) sobre o diesel e aprovado subsídios à produção interna.
Efeito dominó
O aumento dos combustíveis, no entanto, não fica restrito às bombas dos postos; ele gera um efeito dominó que encarece o custo de vida de forma generalizada:
- Transporte de cargas e Produção agrícola: O diesel mais caro eleva imediatamente o valor do frete e os custos de operação do maquinário agrícola (como tratores e colheitadeiras). Esse custo extra é repassado para os alimentos e produtos básicos, gerando inflação direta nas prateleiras dos supermercados.
- Transporte público: O combustível é um dos principais insumos das empresas de ônibus. O aumento do diesel pressiona as planilhas de custos das viações, o que inevitavelmente resultará em pressão por reajustes nas tarifas de ônibus urbanos e intermunicipais, punindo o passageiro.
- Motoristas de aplicativos e Autônomos: Para quem tira o sustento do volante, o aumento da gasolina esmaga as margens de lucro. Sem o repasse proporcional das tarifas pelas plataformas, muitos motoristas de app e taxistas veem a jornada de trabalho se tornar financeiramente insustentável.
- Orçamento das famílias: No fim da linha, seja no tanque do carro de passeio, na feira mais cara ou na passagem de ônibus, é o orçamento das famílias brasileiras que sofre o maior impacto, reduzindo o poder de compra e agravando a insegurança financeira.
NE Notícias, da redação

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