Eleito com 34.160 votos e indo para seu quarto mandato na Assembleia Legislativa de Sergipe – Alese -, o deputado estadual Gilmar José Fagundes de Carvalho, PSC, 57 anos, é um itabaianense que entrou na política sergipana, segundo ele, por puro e simples medo. Talvez em busca de um teto de proteção.
“Não tenho ligação familiar com a política e não tenho sobrenome famoso. Nada, nada. Foi o medo que me fez entrar na política. Eu achava que precisava de imunidade parlamentar. Entrei na política em 1997 e fui candidato a deputado em 1998, um tempinho depois de uma prisão (de apenas um dia, por desacatar uma ordem judicial)”, relembra Gilmar, que fez história nesses pouco mais de 20 anos de política.

Gilmar Carvalho entrou na Alese pela primeira vez em 1999, há exatos 20 anos, fruto da eleição de 1998, reelegendo-se em 2002. Depois disso, teve um longo hiato de 16 anos sem vitórias, ganhando novamente apenas ano passado – sendo que, antes disso, conseguiu vaga como parlamentar de 2017 a 2018, graças a uma primeira suplência obtida em 2014.
“Foi o medo que me fez entrar na política.”
Gilmar Carvalho
CAPÍTULOS DA VIDA
A “prisão” citada por Gilmar e a trajetória política como deputado são apenas dois capítulos da extensa biografia dele. O maior capítulo até agora, na verdade, é a comunicação. Há mais de 40 anos, ele é radialista, percorrendo diversas emissoras de rádios de Sergipe, seja na capital ou no interior, apresentando programas jornalísticos matutinos.
Foram a rádio e a televisão – em 2015, ele adquiriu outra função em sua vida, apresentador de TV, na qual está concentrando tudo agora – que, sem sombras de dúvidas, deram régua, fama, compasso e fizeram Gilmar chegar onde chegou: a Alese e, até mesmo a nutrir o sonho de alçar voos mais altos, como a Prefeitura de Aracaju, algo buscado na futura candidatura de 2020.
Mas, claro, antes da vida profissional, pública – já na fase adulta -, vem o Gilmar criança, o Gilmar jovem, o Gilmar atual esposo da Maria Anete, o Gilmar pai – não se espante – de sete filhos: Douglas, Sayonara, Gilmara Deise, Lucas, Júnior, Neto e Vitória Cristina – frutos de quatro relacionamentos. Gilmar é um superpai e tem asas largas, sob as quais agasalha a ninhada inteira.

ITABAIANENSE RAIZ
As origens de Gilmar, a infância, a adolescência, vêm de Itabaiana. Nascido no dia 8 de março de 1961, é o primogênito do casal itabaianense José Oliveira de Carvalho – falecido em 1995 – e Maria Tereza de Carvalho – uma figura superativa, que trabalhava até recentemente. O casal teve, além do deputado, mais oito filhos. Foi tanta gente, que entre os irmãos tem um padre, Gilvan Carvalho, e uma freira, Rosimar Carvalho.
Honrando a tradição dos itabaianenses, Gilmar desde o começo de sua vida trabalha – carrega pedras pra sobreviver. “Meu primeiro ofício foi ser feirante. Eu tinha cinco ou seis anos. Meu pai era sapateiro e feirante. Acompanhei ele nas feiras, mas também acompanhei minha mãe, irmãs e tias nas feiras livres”, relata. Isso é uma profissão de fé de metade dos itabaianenses.
Das feiras, Gilmar pulou para a esfera da justiça. “Minha mãe trabalhava em cartório e depois foi trabalhar no fórum. Aí, certa vez, fui trabalhar no cartório com minha mãe, aquela que foi a minha primeira professora”, rememora ele, em tom de orgulho.
“Minha mãe trabalhava em cartório e depois foi trabalhar no fórum. Aí, certa vez, fui trabalhar no cartório com minha mãe, aquela que foi a minha primeira professora”, rememora ele, em tom de orgulho.
“Meu primeiro ofício foi ser feirante. Eu tinha cinco ou seis anos.”
Gilmar Carvalho

OUSADIA PRA CHEGAR AO RÁDIO
Durante o período em que Gilmar trabalhou no cartório, surgia em Itabaiana a Rádio Princesa da Serra – a emissora que foi o primeiro divisor de águas na vida do deputado, a responsável por abrir-lhe o caminho de uma profissão e por torná-lo radialista até os dias de hoje.
Gilmar relata, com sentimento de satisfação, como se deu sua entrada no ramo do rádio jornalismo – bem ousada, por sinal. “Abriu-se na Rádio Princesa, através de João Batista Santana, a possibilidade de se fazer testes para locutor, mas o candidato tinha que ter 18 anos. Eu só tinha 17. Aí fiz uma carta para João Batista, a quem eu nem conhecia”, relembra, aos risos.
“João me convocou e me disse: “Olhe, mandei lhe chamar por causa de sua ousadia”. Então, passei no teste e comecei na rádio com 17 anos como um plantonista esportivo”, relata o deputado. Ali, ele teve que abrir mão dos estudos para seguir a carreira radialística. Sua fase colegial, até então, foi toda no notável e ainda hoje cobiçado Colégio Estadual Murilo Braga.

CHEGADA À CAPITAL
“Foi nessa fase de início no rádio que eu deixei os estudos no colégio, porque, naquela época, quem fazia esporte (na rádio) tinha obrigatoriamente de fazer na quarta-feira à noite e isso me levaria perder aulas e provas. Então, por isso, decidi deixá-lo”, informa, no que parece ser um contrassenso para quem queria ser um comunicador.
Mas com a experiência na Rádio Princesa, Gilmar voou mais alto e se mudou logo de mala e cuia para a capital. “Vim para Aracaju, para a Rádio Aperipê que, naquela época, era a Rádio Difusora, e depois fui para Rádio Cultura”, relata.
Daí por diante, Gilmar passou por diversas emissoras de rádio, chegando, inclusive, a ser o responsável pela criação de algumas, a exemplo da Rádio Capital do Agreste de Itabaiana e a Rádio Educadora de Frei Paulo.

UM NOVO HORIZONTE: A TV
“Rodei muito. Não sei quantas rádios ao todo”, diz o parlamentar, que já apresentou programas jornalísticos na Rádio Jornal, Liberdade AM, FM Sergipe, Ilha FM e, por último, a Mix. Atualmente, ele está sem programa de rádio.
Gilmar rodou tanto, experimentou tanto, que resolveu se enveredar por outros caminhos: a televisão -, sem deixar sua eterna casa, a rádio. “Minha experiência com TV começou na TV Atalaia em 2015. E eu nunca pensei em fazer TV na vida?”, indaga.
“Certa vez, numa manhã, eles (executivos da TV Atalaia) chegaram até mim perguntando se eu toparia gravar um piloto, porque algumas pessoas queriam convencer a direção da TV a introduzir aqui o programa Cidade Alerta. Eu não esperava. Perguntaram-me: “você tem coragem?”. Ai disse: “Amigo, inicialmente, não tenho, pois nunca fiz televisão”. Saímos dali e fomos gravar direto. Gravamos dez minutos e no dia seguinte já estava lá”, relembra Gilmar.

MAIOR VISIBILIDADE
A entrada de Gilmar todas as noites na casa de milhares de sergipanos, durante a exibição do programa Cidade Alerta, com certeza foi outro divisor de águas em sua vida, dando-lhe maior visibilidade. Analistas políticos admitem que isso foi um dos principais fatores responsáveis pela quarta colocação dele nesta última eleição para deputado e pela retomada do mandato como dono efetivo, depois de três tombos.
“A TV me deu muito mais visibilidade. A TV Atalaia transformou a minha carreira e a minha vida. Fomos o mais votado em Aracaju. Claro, tem muito do meu trabalho (neste resultado) e do instrumento chamado TV Atalaia”, destaca o deputado.

DA PRISÃO EM 1996
“Em 1996, recebi uma gravação que comprometia uma juíza de direito, e havia uma proibição de colocá-la no ar – eu trabalhava na Liberdade. Acabei não aceitando a determinação judicial e fui preso”, relata o parlamentar.
“Mas, graças a Deus foi aquela ovação toda do povo nas ruas. Eu entrei (na cadeia) num dia e sai no outro. Uma carreata grande foi feita aqui”, relembra Gilmar, que segue seu relato do porquê entrou na política.
“Como eu não tinha nenhuma formação em Direito na época, eu achava que precisaria da imunidade parlamentar para evitar cair de novo nas mãos dos arbitrários, daqueles que tomam decisões arbitrárias como aquela que foi tomada. Mas já fiquei sem mandato algumas vezes e percebi que não preciso dessa imunidade”, afirma o deputado.
“A TV me deu muito mais visibilidade. A TV Atalaia transformou a minha carreira e a minha vida.”
Gilmar Carvalho
LAÇOS COM A POLÍTICA
Além de buscar a imunidade parlamentar, Gilmar, no mesmo período, buscou “entender mais as leis brasileiras”. “Cursei Direito, mas não fiz OAB. Sou só um bacharel”, diz ele. Foi nessa época que o deputado retornou aos estudos, após ter abandonado o ginásio lá na adolescência itabaianense. “Quando vim para Aracaju, passei um tempão sendo autodidata. Mas depois fiz o supletivo para poder fazer o vestibular e cursar o Superior”, informa.
Com o diploma de bacharel em Direito em mãos e uma vez deputado, Gilmar nunca mais saiu da política. “Depois que você entra, fica muito difícil sair. Não é por causa de cargos ou coisa parecida, porque, por exemplo, já tive oferecimento de vários cargos no Governo atual, passado e eu não quis”, informa. Ele dá mais exemplos: “Eu já cheguei a devolver aumento de salário como estadual em 2002”, diz.
Os laços formados ao longo do primeiro mandato como deputado também foram um dos fatores decisivos para Gilmar não cair mais fora dessa cachaça que é a política. “É que você começa a formar equipe e são várias pessoas que dependem desse trabalho”, afirma.

“PRIMEIRA CAMPANHA”
Claro, Gilmar também se afeiçoou ao real e verdadeiro papel de um deputado estadual – ou, mais extensivamente, da política: propor projetos, fomentar políticas públicas em prol do bem-estar dos cidadãos, principalmente daqueles que não têm acesso a serviços básicos.
“Você começa a perceber que só a política é capaz de resolver ou não determinados problemas. Além do mais, quando você tem uma convicção de cristão, fica mais difícil você sair. Isso não quer dizer que quem não tem convicção cristã não pode ser político, ou coisa parecida”, declara.
Contudo, segundo Gilmar, mesmo agregando para si o papel de um parlamentar, ele não se sentia genuinamente um político até o ano passado – quando deu uma guinada no seu modo de ser e engatou novos modos de relacionamento nessa seara.
“Eu tenho hoje uma definição muito clara: só fiz campanha pela primeira vez como político mesmo em 2018. Não fazia antes a política sistematizada como fiz em 2018, como um político deve fazer”, afirma. O resultado disso materializou-se na sua surpreendente votação – a quarta do Estado.
“Eu tenho sonho de ganhar, tomar posse e no discurso dizer: ‘o povo pobre acabou de chegar na Prefeitura’”
Gilmar Carvalho
“GILMAR PREFEITO”
Trazendo agora consigo “a certeza” que é um político entre os demais políticos, Gilmar estofa o peito e faz questão de propagar aos quatro cantos que será candidato a um mandato majoritário nas eleições do próximo ano. “Eu tenho uma convicção muito clara: eu serei candidato a prefeito de Aracaju”, sustenta. O seu PSC anda batendo palmas pra isso.
Na mente de Gilmar rondam vários desejos para o caso de se eleger prefeito da capital. “Eu tenho um sonho: fazer uma administração revolucionária e botar o povo na Prefeitura. Eu tenho sonho de ganhar, tomar posse e no discurso dizer: ‘o povo pobre acabou de chegar na Prefeitura’”, afirma ele.
Gilmar tem fé que concretizará seus sonhos. “Eu acredito que chego lá, se isso for a vontade de Deus. E se não for, não vou chorar e nem morrer por isso não”, informa. Concretizando-se ou não esse sonho de um Gilmar prefeito de Aracaju em 2021, uma coisa é certa: ele vem se preparando e muito para que isso se torne mesmo realidade. “Estudo quase que diariamente os problemas da administração municipal, das ruas de Aracaju”, afirma. E ainda dá um recado: “Eu não sou e nem serei candidato irresponsável”, diz.

PROJETOS NA ALESE
Mesmo sonhado já com a campanha política do ano que vem e com uma futura posse em 2021, Gilmar é ainda, evidentemente, um deputado estadual em seu quarto mandato que tem muitos projetos em mente para colocá-los em prática na Alese.
“Tenho conversado muito com o presidente da Assembleia, o Luciano Bispo, porque muitos projetos meus não foram colocados em votação. Ele me disse que os colocará agora. Mas já propus na Assembleia tantas coisas, como a redução das férias, dos recessos parlamentares. Duas vezes propus, mas a Assembleia não quis votar”, informa.
Gilmar elenca outros projetos. “Vou propor agora um projeto acabando com todas as votações secretas na Assembleia. Outro projeto que está lá, e vou pedir a Luciano que coloque em votação, é aquele que, se for aprovado, dará aos parlamentares a condição de acompanhar a execução do orçamento do Estado em tempo real”, informa o deputado.
“Se o Estado gastar, comprar um alfinete, em tempo real, o parlamentar terá acesso a essa movimentação orçamentária. Infelizmente, no ano passado, não houve vontade de se colocar este projeto em votação. E não foi por culpa do presidente. E sei que esse ano vai à votação”, explica Gilmar Carvalho.
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