TJSE concede efeito suspensivo e Aracaju volta a cobrar taxa da OAB

A Prefeitura de Aracaju, por meio da Procuradoria-Geral do Município (PGM) obteve do Tribunal de Justiça de Sergipe, efeito suspensivo na apelação apresentada contra a decisão da 18ª Vara Cível de Aracaju, que havia declarado ilegal a cobrança da Taxa de Licença para Localização e Funcionamento (TLF) de escritórios e sociedades de advocacia instalados na capital.

OAB Sergipe
OAB-SE/Divulgação

O desembargador relator da 2ª Câmara Cível do TJ/SE, José Pereira Neto, deferiu o pedido no processo restabelecendo a obrigação do pagamento da taxa até o julgamento final do recurso.

Com a decisão, ficam suspensos os efeitos da sentença de primeiro grau, que determinava ao Município a abstenção de novos lançamentos da TLF.

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A TLF é um tributo classificado como taxa de polícia, cuja cobrança decorre do exercício do poder de polícia administrativa, conforme previsto na Constituição Federal, no Código Tributário Nacional e no Código Tributário Municipal.

O tributo está associado à fiscalização e ordenação de atividades econômicas e uso do espaço urbano.

O procurador municipal responsável pelo caso, Matheus Brito Meira, destacou que “a cobrança não se relaciona ao controle da atividade de advocacia, mas ao poder de polícia exercido pelo Município no interesse coletivo”.

Segundo ele, a Lei de Liberdade Econômica não criou hipótese de isenção tributária para atividades consideradas de baixo risco, nem se aplica à matéria tributária.

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A PGM argumentou que a suspensão da cobrança poderia causar impactos ao Município, que depende da arrecadação para custear despesas referentes ao procedimento fiscalizatório.

O entendimento é amparado por precedentes do Superior Tribunal de Justiça, que reconhece a possibilidade de cobrança de taxas vinculadas ao exercício regular do poder de polícia municipal.

Com a concessão do efeito suspensivo, a TLF volta a ser exigida dos escritórios e sociedades de advocacia estabelecidos em Aracaju até decisão definitiva do Tribunal.


PMA

Governador sofre acidente e fratura o pé em cavalgada

O governador Fábio Mitidieri (PSD) sofreu um acidente neste domingo (30), após participar da tradicional Cavalgada de Bordados, em Tobias Barreto. Ele fraturou o pé direito ao descer do cavalo.

Governador Fábio Mitidieri participa da Cavalgada dos Bordados, em Tobias Barreto
Governador montado no cavalo durante a Cavalgada dos Bordados|Reprodução

Mitidieri foi levado a uma unidade hospitalar, onde passou por avaliação médica e realizou todos os exames necessários. Apesar do susto, o governador está bem e já está em casa. Ele deverá usar uma bota ortopédica pelos próximos 30 dias como parte do tratamento.

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Nas redes sociais, o gestor falou sobre seu estado de saúde. “Após uma agenda intensa no interior do Estado neste domingo, acabei sofrendo uma fratura. Passei por consulta médica e estou bem. Em breve, estarei recuperado”, escreveu.

O evento reuniu diversas lideranças políticas, incluindo o ex-deputado André Moura, pré-candidato ao Senado Federal, que acompanhou Mitidieri na cavalgada.

Reprodução

NE Notícias, da redação

Flamengo garante vagas no Mundial de 2029 e Intercontinental

Além de alçar o Flamengo ao posto de clube brasileiro com mais títulos de Libertadores, o tetracampeonato da mais importante competição sul-americana, conquistado sábado (29), garantiu o Rubro-Negro em outros dois torneios: a Copa Intercontinental deste ano e o Mundial de Clubes de 2029, ambos organizados pela Federação Internacional de Futebol (Fifa).

Camisa do Flamengo
Alexandre Vidal, Marcelo Cortes & Paula Reis / Flamengo

A Copa Intercontinental ocupa, no calendário, o período que destinado ao Mundial no formato antigo, que reunia sete clubes (seis campeões continentais e um representante do país-sede), no qual as equipes da América do Sul e da Europa entravam diretamente na semifinal. Desde o ano passado, são apenas seis times, um por confederação.

A edição deste ano teve início em setembro, com o embate entre os ganhadores das Ligas dos Campeões da África (Pyramids, do Egito) e da Oceania (Auckland City, da Nova Zelândia). Os egípcios venceram (3 a 0) e se credenciaram à disputa da Copa África-Ásia-Oceania, contra o representante asiático (Al Ahli, da Arábia Saudita).

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A equipe africana levou novamente a melhor (3 a 1), ergueu o troféu e se garantiu na chamada Copa Challenger, em que terá pela frente o vencedor do duelo entre Flamengo e Cruz Azul, do México, que disputam o Dérbi das Américas em Doha, também valendo taça.

O confronto será no dia 10 de dezembro, às 14h (horário de Brasília). Vale lembrar, porém, que a última rodada do Campeonato Brasileiro está marcada para 7 de dezembro, três dias antes do jogo no Catar.

Quem passar, enfrenta o Pyramids no dia 13 de dezembro, no mesmo local e horário. O ganhador dessa Copa Challenger, por fim, faz a final da Copa Intercontinental com o Paris Saint-Germain, da França, vencedor da última Liga dos Campeões da Europa.

A decisão também será em Doha, no dia 17 de dezembro.

Em 2024, o Botafogo foi o representante brasileiro e sul-americano na Intercontinental. O Glorioso foi superado pelo Pachuca, do México, por 3 a 0, pelo Dérbi das Américas. O título ficou com o Real Madrid, da Espanha, que bateu os mexicanos por 3 a 0.

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O Mundial de Clubes de 2029, por sua vez, ainda não tem sede definida. A América do Sul tem direito a seis vagas, sendo quatro para os campeões da Libertadores do quadriênio 2025-2028, o que significa que o Flamengo já está garantido.

O Rubro-Negro esteve na edição deste ano, nos Estados Unidos, e chegou às oitavas de final, sendo eliminado pelo Bayern de Munique, da Alemanha. Também estão com vaga assegurada: Al-Ahli, Cruz Azul, Pyramids e PSG.

Flamengo vence o Palmeiras e é campeão da Libertadores

O primeiro tetracampeão da América do futebol brasileiro se chama Clube de Regatas do Flamengo. Neste sábado (29), o Rubro-Negro se tornou o time do Brasil com mais títulos de Libertadores ao derrotar o Palmeiras por 1 a 0 no Estádio Monumental de U, em Lima (Peru).

Flamengo vence Palmeiras e se torna o primeiro brasileiro tetracampeão da Libertadores
Adriano Fontes|CRF

O último ano em que o posto de brasileiro mais vezes campeão do torneio esteve isoladamente com um clube foi 2011. O Santos venceu aquela edição e se igualou ao São Paulo, que era o único tricampeão desde 2005.

Revanche

A vitória teve gosto de revanche para os rubro-negros, que perderam a decisão de 2021 para o próprio Verdão, no Estádio Centenário, em Montevidéu (Uruguai). Na ocasião, o título alviverde veio após um erro de Andreas Pereira, à época no time carioca, que o atacante Deyverson aproveitou. O volante desta vez esteve no lado palmeirense da final, com participação discreta.

O título coroa uma geração extremamente vitoriosa, que levantou 16 taças desde 2019, sendo três Libertadores (2019, 2022 e 2025). Todas com as presenças do meia Giorgian de Arrascaeta – eleito o craque da edição deste ano – e do atacante Bruno Henrique. Ambos se tornaram os jogadores mais vezes campeões pelo clube.

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E eles podem colocar mais um troféu nessa estatística na próxima quarta-feira (2). Se a equipe carioca vencer o Ceará no Maracanã, no Rio de Janeiro, às 21h30 (horário de Brasília), conquista o Brasileirão com uma rodada de antecedência.

Arrascaeta e Bruno Henrique, aliás, festejaram um título de Libertadores pela segunda vez no Monumental. Foi lá que eles conquistaram a taça em 2019, na final contra o River Plate (Argentina), a primeira no formato de jogo único.

O técnico Filipe Luís – que se tornou o nono a vencer o torneio sul-americano como treinador e jogador – e o auxiliar Rodrigo Caio também estiveram em campo naquela decisão, respectivamente como lateral-esquerdo e zagueiro do time dirigido por Jorge Jesus.

O Jogo

A partida teve início 15 minutos depois do previsto, por conta do atraso do ônibus do Palmeiras, que teve dificuldades para chegar ao estádio devido ao trânsito de Lima. Se Abel não trouxe novidades na formação alviverde, no Flamengo foi diferente, com Samuel Lino ganhando de Everton Cebolinha a disputa pela vaga no ataque.

Reprodução

Com a bola rolando, o Flamengo iniciou a partida ocupando o campo de ataque e diminuindo os espaços do Palmeiras. O Rubro-Negro teve duas boas chances, uma de cada lado. Aos 14 minutos, o lateral Guillermo Varela lançou Bruno Henrique às costas da marcação. O atacante finalizou da entrada da área, mas por cima.

No lance seguinte, Samuel Lino recebeu pela esquerda, saiu da marcação do lateral Khellven e bateu cruzado, próxima à trave esquerda do goleiro Carlos Miguel.

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À medida que transcorreu, a primeira etapa ficou mais tensa e faltosa. Foram quatro cartões amarelos antes dos 40 minutos (três para o Flamengo e um para o Palmeiras). Um deles, aplicado no volante Erick Pulgar, gerou reclamações do Verdão. O chileno acertou a canela de Bruno Fuchs, com o jogo parado, após falta do zagueiro no lance anterior. Os jogadores alviverdes pediram vermelho, em vão.

O Palmeiras, gradualmente, acertou a marcação e passou a frequentar o campo do Flamengo, mas sem grande efetividade. A melhor chance foi aos 20, em um cruzamento de Khellven, pela direita, que o atacante Vitor Roque cabeceou para baixo, a bola quicou no gramado e subiu rente ao travessão.

As equipes voltaram para o segundo tempo impondo correria e buscando mais finalizações. O Flamengo, assim como na etapa inicial, buscou ditar o ritmo. O melhor rendimento rubro-negro, desta vez, foi recompensado.

Aos 21 minutos, Arrascaeta cobrou escanteio pela esquerda, Danilo subiu sozinho e, de cabeça, mandou no canto direito de Carlos Miguel. Quatorze anos depois de fazer o gol do título do Santos contra o Peñarol (Uruguai), o zagueiro voltou a balançar as redes em uma final de Libertadores. E novamente de forma decisiva [vídeo abaixo].

O Verdão se lançou ao ataque em busca do empate. Aos 43 minutos, Vitor Roque teve a melhor oportunidade da equipe paulista no jogo, na sequência de uma cabeçada do zagueiro Gustavo Gómez travada pela defesa. O atacante concluiu na pequena área, mas a bola desviou em Danilo e saiu pela linha de fundo.

Cebolinha, que perdeu a vaga para Samuel Lino no time titular, entrou bem no jogo e tirou a pressão que o Flamengo sofria após o gol. Nos últimos minutos, conseguiu puxar contra-ataques e tirar a bola da defesa.

Nos acréscimos, ele avançou em velocidade em grande jogada e foi derrubado na entrada da área. Na cobrança, ele bateu falta rasteira, Carlos Miguel não segurou e a bola foi na trave esquerda. O quase gol não fez falta.

O apito final fez explodir a festa rubro-negra em Lima, como em 2019, no Rio de Janeiro em vários cantos do Brasil.

Veja os melhores momentos:

Reprodução

Conta de luz mais barata em dezembro

A Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) anunciou que a bandeira tarifária passou da vermelha patamar 1 em novembro para amarela em dezembro. Isso significa que o consumidor deixa de pagar R$ 4,46 a cada 100 KW/h consumidos e passa a pagar R$ 1,885 a cada 100 KW/h consumidos.

Consumidor segurando uma conta de luz na mão esquerda
Energisa/Divulgação

Com a entrada do período chuvoso no país, a previsão de chuvas para dezembro é superior às chuvas que ocorreram em novembro, na maior parte do país. Contudo, essa expectativa de chuvas está, em geral, abaixo da sua média histórica para esse mês do ano.

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Diante de condições de geração de energia um pouco mais favoráveis, foi possível mudar da bandeira vermelha patamar 1 para amarela. Por isso, o acionamento das termelétricas continua sendo essencial para atender à demanda.

Além disso, a geração solar é intermitente e não fornece energia de forma contínua, especialmente no período noturno e nos horários de maior consumo.

O mecanismo das bandeiras tarifárias foi criado em 2015 para indicar o custo real da energia. Ele reflete o custo variável da produção de energia, considerando fatores como a disponibilidade de recursos hídricos, o avanço das fontes renováveis, e o acionamento de fontes de geração.

A ANEEL reforça a importância do uso responsável da energia elétrica, que evita desperdícios e contribui com a sustentabilidade do setor elétrico.

Cope recupera em Itabaiana parte de carga roubada na Bahia

Equipes do Centro de Operações Policiais Especiais (Cope) localizaram, no município de Itabaiana, parte de uma carga de margarina industrial que havia sido roubada no início de novembro no município de Serrinha, na Bahia.

Cope recupera em Itabaiana parte de carga roubada na Bahia
Divulgação

A ação faz parte da Operação Renorcrim (Rede Nacional de Enfrentamento das Organizações Criminosas) e ocorreu a partir da cooperação entre as Polícias Civis da Bahia e de Sergipe.

Segundo as investigações policiais, o motorista da carreta foi abordado por homens armados em um posto de combustíveis em Serrinha. Ele foi mantido refém durante toda a noite e liberado pelos suspeitos apenas na manhã seguinte.

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A partir da troca de informações entre as forças de segurança, parte da carga foi encontrada armazenada em uma panificadora da cidade de Itabaiana.

A mercadoria foi apreendida e segue em trâmite para devolução à empresa proprietária. A Polícia Civil reforça que a população pode colaborar com informações sobre delitos e suspeitos por meio do Disque-Denúncia (181), garantindo total sigilo.

Gustinho perde comando do Republicanos e Emília deve assumir

A política sergipana acaba de sofrer uma reviravolta significativa. O deputado federal Gustinho Ribeiro foi oficialmente comunicado pelo Republicanos de que não continuará à frente da sigla em Sergipe.

Deputado Gustinho Ribeiro
Assessoria Parlamentar

A decisão, que muda o xadrez político local, deve levar a prefeita de Aracaju, Emília Corrêa (PL), à presidência do partido.

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A troca de comando não foi uma escolha local, mas uma articulação de bastidor nacional. O presidente da legenda, deputado federal Marcos Pereira (SP), optou pela mudança após receber o que fontes classificaram como uma “proposta irrecusável” do grupo dos Amorins.

Com essa movimentação, o Republicanos muda também de lado: a sigla passará a fazer oposição ao governador Fábio Mitidieri (PSD).

Quanto ao futuro de Gustinho Ribeiro, o cenário permanece em aberto e dependerá diretamente das articulações com o chefe do Executivo estadual, de quem o parlamentar é comandado.


O título e conteúdo desta matéria foram atualizados para garantir maior fidelidade e precisão em relação aos fatos apresentados.


NE Notícias, da redação

Médicos são acionados após Bolsonaro passar mal na PF

Médicos foram acionados após o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL-RJ) passar mal na Superintendência da PF, em Brasília, onde está preso para cumprir pena de prisão pela trama golpista.

Ele teve crises de soluços e refluxos.

Ex-presidente Jair Bolsonaro
Ex-presidente Jair Bolsonaro – Foto: Valter Campanato|Agência Brasil

Seu principal médico conversou com Bolsonaro por telefone e fez ajustes em seus medicamentos.

Hoje, ele vai reavaliar se vai pessoalmente atender o ex-presidente.

PL suspende salário

O PL suspendeu o salário das atividades partidárias de Bolsonaro.

Em nota, o PL argumentou que a medida ocorreu “infelizmente” em decorrência de lei (9096/95) e também em razão da suspensão dos direitos políticos de Bolsonaro, que é presidente de honra do partido.

A suspensão das atividades partidárias e da remuneração irá perdurar, segundo a nota, enquanto houver os efeitos da condenação pela Ação Penal 2668.


NE Notícias, com informações da Agência Brasil

Zanin autoriza julgar Bosco Costa

O ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), liberou para julgamento a ação penal na qual a Procuradoria-Geral da República (PGR) pede a condenação de dois deputados federais e um suplente do PL pelos crimes de corrupção passiva e organização criminosa.

Deputado Bosco Costa
Arquivo

A liberação foi comunicada ao ministro Flávio Dino, presidente da Primeira Turma da Corte, colegiado que será responsável pelo julgamento. Caberá ao ministro marcar a data do julgamento.

No processo, os deputados federais Josimar Maranhãozinho (PL-MA), Pastor Gil (PL-MA) e o suplente Bosco Costa (PL-SE) são acusados de cobrar propina para a liberação de emendas parlamentares.

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De acordo com a PGR, entre janeiro e agosto de 2020, os acusados solicitaram vantagem indevida de R$ 1,6 milhão para liberação de R$ 6,6 milhões em emendas para o município de São José de Ribamar (MA).

Outro lado

Durante a tramitação do processo, Josimar Maranhãozinho declarou ao Supremo que as acusações da PGR contra o parlamentar se “mostram frágeis e desfundamentadas”.

Os advogados de Bosco Costa defenderam a rejeição da denúncia por falta de provas. A defesa afirmou ao Supremo que a acusação está baseada em “diálogos de terceiros e anotações manuscritas desconhecidas de Bosco”.

A defesa de Pastor Gil defendeu a ilegalidade das provas obtidas na investigação por entender que o caso deveria ter iniciado no STF, e não na Justiça Federal do Maranhão. Os advogados também acrescentaram que a denúncia é baseada em “hipóteses e conjecturas”.

Este espaço permanece aberto para manifestações das partes interessadas sobre o assunto.

Lula perdeu: Congresso derrubou vetos

O Congresso Nacional derrubou, nesta quinta-feira (27), 56 dos 63 vetos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao projeto de lei (PL) que elimina ou flexibiliza regras para o licenciamento ambiental no Brasil. O texto foi apelidado pelos críticos de “PL da Devastação”.

Senador Davi Alcolumbre durante Sessão conjunta do Congresso Nacional - Deliberação de Vetos
Jonas Pereira|Agência Senado

Os parlamentares apreciaram ainda 28 destaques apresentados pelo PT e PSOL, como forma de tentar manter os vetos presidenciais. Na Câmara dos Deputados, os destaques foram rejeitados por 295 votos a 167. No Senado, ainda estão em votação.

O governo conseguiu, por outro lado, adiar a análise de sete dos vetos referentes ao Licenciamento Ambiental Especial (LAE), nova modalidade criada que previa o licenciamento de forma simplificada e com “fase única” para obras consideradas “estratégicas”. 

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Ao vetar o dispositivo da LAE, o Executivo editou a Medida Provisória (MP) 1308 de 2025, mantendo a previsão desse instrumento ambiental. Porém, em vez de licenciamento em fase única, a MP editada pelo governo prevê equipes exclusivas destinadas para dar celeridade aos licenciamentos de obras consideradas estratégicas, mantendo todas as fases hoje previstas para liberação de empreendimentos.

O relator da MP 1308 na Câmara é o deputado Zé Vitor (PL-MG). A medida precisa ser analisada até o dia 5 de dezembro para não perder a validade. A comissão que analisa a MP é presidida pela senadora Tereza Cristina (PP-MS), importante liderança da bancada ruralista no Parlamento.  

Apoiado pelo agronegócio e setores empresariais, o PL do Licenciamento Ambiental vem sendo denunciado como grave retrocesso por organizações ambientalistas e pelo Ministério do Meio Ambiente (MMA). 

Reprodução

Com a derrubada dos vetos, são retomados dispositivos como o que autoriza o autolicenciamento para obras de porte médio, chamado de Licença por Adesão e Compromisso (LAC). Essa modalidade requer apenas um compromisso dos empreendedores para liberação das obras, sem os estudos ambientais exigidos atualmente.

A derrubada dos vetos permite ainda transferir a definição dos parâmetros ambientais do licenciamento da União para estados e Distrito Federal (DF); retira atribuições de órgãos ambientais como Conama (Conselho Nacional do Meio Ambiente) e limita a consulta aos povos indígenas e comunidades quilombolas afetados pelos empreendimentos.

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O Legislativo ainda derrubou o veto do governo que impediu retirar a Mata Atlântica do regime de proteção especial para supressão de floresta nativa. A derrubada do veto reduz as exigências para desmatar o bioma que mantém atualmente cerca de 24% da vegetação original.

O Observatório do Clima, que reúne 161 organizações sociais e ambientais, afirma que a derrubada desses vetos é o maior retrocesso ambiental da história do país, e logo após a Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas (COP30), em Belém (PA).  

“Manter os vetos de Lula é crucial para impedir o esvaziamento do licenciamento ambiental, o principal instrumento de prevenção de danos ambientais do país, criado há mais de quatro décadas pela Política Nacional do Meio Ambiente, de 1981”, disse o Observatório, em nota. 

Alcolumbre pauta tema após COP30

Deputados e senadores favoráveis aos vetos do presidente Lula criticaram o presidente do Congresso, o senador Davi Alcolumbre (União-AP), por pautar o tema após a COP30, enquanto há muitos outros vetos na fila para serem apreciados.

Alcolumbre argumentou que a votação do licenciamento ambiental era necessária para destravar o processo legislativo.

“Há regiões inteiras aguardando que o Congresso finalize essa discussão para que grandes projetos saiam do papel, gerando empregos, renda e crescimento econômico — sempre com responsabilidade ambiental”, disse o presidente do Senado.

O deputado federal Nilto Tatto (PT-SP), falando como líder do PT, destacou que a votação do tema após a COP30 reflete uma decisão política de setores privados que querem flexibilizar as regras ambientais no Brasil.

“O momento em que se está trazendo para votar, logo depois da Conferência do Clima, tem uma posição política de setores que desnortearam o debate do licenciamento ambiental para defender interesses menores e não interesses do país, não interesses da sociedade brasileira”, disse.

Debate

A senadora Eliziane Gama (PSD-MA) avaliou que a derrubada dos vetos vai aumentar o desmatamento ao transferir para os estados e o Distrito Federal a responsabilidade por definir parâmetros e critérios para o licenciamento ambiental.  

“Vai se criar uma verdadeira guerra ambiental na tentativa de levar algum tipo de empreendimento sem o devido rigor e, portanto, [sem] a proteção dos nossos biomas e do nosso meio ambiente”, afirmou.

O deputado José Vitor (PL-MG) argumentou, por outro lado, que o projeto aprovado respeita o meio ambiente e que o atual modelo de licenciamento no Brasil impede a realização de obras. Ele ainda defendeu a exclusão do Ibama dos processos de liberação de obras.

“Nenhum de nós aqui está abrindo mão para qualquer flexibilização ou qualquer ponto que coloque em risco o meio ambiente. Depois de um órgão ambiental, como uma secretaria de estado de meio ambiente, fazer toda a análise técnica e conceder uma autorização, que, mesmo assim, precisava do carimbo do Ibama, um carimbo que, de fato, não protege nada”, afirmou.

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O líder do PL na Câmara, deputado Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), defendeu que o Brasil explore suas riquezas. 

“[O governo] quer colocar travas no agronegócio, que é a única coisa que ainda está dando certo, economicamente, no Brasil. Aí querem colocar aqui o veto no licenciamento ambiental votado por essas duas Casas. O verdadeiro Brasil que nós temos é o Brasil que explora as suas riquezas do agro”, afirmou.

Por sua vez, o deputado federal Túlio Gadêlha (Rede-PE) argumentou que os atrasos que, eventualmente ocorrem, no processo de licenciamento ambiental é resultado do desmonte praticado contra os órgãos ambientais ao longo dos anos.

“Se existe morosidade hoje é por conta do desmantelamento do governo anterior com relação à pauta ambiental, que retirou salários, diárias, combustível e instrumentos para que esses servidores pudessem agir”, comentou.

Gadêlha também criticou que órgãos ambientais como Ibama, Funai, Iphan e outros passam a ter um caráter de “observador” sem que os seus pareces tenham “caráter vinculante” nos processos de licenciamento.