Fonte: Jornal do Commercio (Pernambuco)
Após quatro anos sem concurso público, sai até a próxima sexta-feira o edital da seleção que preencherá 540 vagas de médicos nas grandes emergências de todo o Estado. Em entrevista coletiva concedida ontem, o vice-governador e secretário de Saúde de Pernambuco, João Lyra Neto, anunciou que os postos serão abertos apenas para plantonistas. Governo oferece salário-base de R$ 2.090, mas a remuneração alcança R$ 4,2 mil com as gratificações. Em regime de 24 horas por semana, os profissionais começam a trabalhar em abril.
Para evitar a ociosidade de vagas, problema ocorrido nas últimas seleções simplificadas, o edital será divulgado em outros seis Estados nordestinos. O Estado pretende atrair médicos da Bahia, Sergipe, Alagoas, Paraíba, Rio Grande do Norte e Ceará. Entre as 22 especialidades disponíveis, três concentram 49% das vagas: clínica-geral (104), pediatria (75) e traumatologia (63), que aparecem entre os setores mais deficitários da saúde pública em termos de pessoal.
A validade do processo seletivo é de dois anos. Além das 540 vagas, a secretaria criará cadastro de reserva, com o objetivo de suprir eventuais carências na rede após a convocação dos classificados. Médicos diaristas - que atendem nos ambulatórios - também poderão migrar para as emergências. Em abril, os mais de quatro mil médicos da rede terão a frequência controlada por meio do registro do ponto.
A partir de março, os profissionais submetem-se às regras da lei de produtividade, anunciada após o movimento demissionário que se estendeu de julho a setembro do ano passado. Segundo o secretário, a matéria será remetida à Assembleia Legislativa após o Carnaval. De acordo com a norma, quanto mais procedimentos forem realizados, maior o incremento na renda do plantonista. "Será possível ganhar até 50% acima da remuneração", estima Lyra Neto.
Na opinião do presidente do Sindicato dos Médicos de Pernambuco, Antônio Jordão, o concurso vem em boa hora, porém não soluciona o problema de pessoal no SUS. Segundo o dirigente, os hospitais pernambucanos precisam de mil médicos. Ele defende que a distribuição das vagas da seleção deveria ter sido discutida com o sindicato.
"O levantamento foi unilateral. Tanto que só criaram uma vaga para oftalmologista, quando há déficit. Hoje, a única referência no serviço é uma unidade privada, a Fundação Altino Ventura. Isso mostra que não está havendo reconstrução das emergências oftalmológicas estaduais", critica Jordão.
O secretário de Saúde admite que não é possível o Estado deixar de lançar mão da rede privada e filantrópica. São 13 unidades conveniadas no Grande Recife. Em junho de 2008, ortopedistas dessas instituições cruzaram os braços para cobrar aumento no repasse do SUS, gerando caos nas grandes emergências. Após semanas de impasse, o governo socorreu os filantrópicos com R$ 450 mil por mês durante um trimestre, o que fez os médicos retornarem ao trabalho.