Aracaju, 16 de Novembro de 2018
Poemeto à minha companheira


Poemeto à minha companheira

(Reminiscências sobre o dever)

 

Eu não pedi para nascer, mas gostei do viver. Nasci teimoso. Mas a vida só tem sabor se a gente fizer muito do que gostamos de fazer. Deixe-me viver o meu jeito de ser e ser eu apenas. Deixe-me morrer numa ação, se preciso, no cumprimento do dever seja ele qual for, missão de minha caminhada neste lugar. O dever realizado é um prêmio: seja o dever paterno, filial, conjugal, profissional...

 

Afinal, não acho sentido em que antes do tempo do endurecimento do corpo, fraqueza dos ossos e cansaço do coração, tenha que devolver a espada (companheira nos perigos) e o meu brasão (sem a mancha da desonra) e passar os últimos anos inerte numa cadeira (um bibelô numa varanda qualquer) sem ação e emoção, esses companheiros do dever. Preso a pensamentos de um passado que o vento levou, me lamentando por coisas que deixaram de ser feitas e por palavras preciosas que deixaram de ser pronunciadas.

 

Os deveres realizados nunca superam o sentimento do que ficou faltando. A infelicidade tem nome: falta do dever cumprido. Eu nunca teria acreditado no seu amor fosse eu não amante dos meus deveres. A morte revela o que é a vida, como a escuridão revela a luz. O amor é o oposto da dor, não física, mas existencial. Nascida do vazio da solidão interior. Não se divide o nascimento nem a morte. Mas se divide a vida. Porque o amor faz dois serem quase um, um ser quase dois. Infelizmente solidões não se misturam e não se completam.  Mas se entendem.

 

Entre os meus feitos valorosos e indignos você foi o meu troféu mais distinguido, dádiva especial. Veio-me como um presente ofertado pelo Ser mais sábio e generoso: Aquele que tudo perscruta, tudo sabe, que fala sem que precisemos ouvir voz. Não pedi pra nascer, mas pedi você no meu viver. Até que a outra vida nos separe. 

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