Aracaju, 24 de Setembro de 2018
A Herança


Anos se passaram desde a promulgação da Lei Aurea mas a sensação é de fomos enganados e ainda continuamos escravos.

Basta parar uns instante em frente à televisão para ficar sabendo de negociatas políticas, como, entre outras, a atual operação Lava Jato, na qual milhões foram desviados da Petrobrás.

Além disso, a população está em pânico com a crise financeira que vem enfraquecendo o poder de compra do salário mínimo. De acordo com uma nota dada a imprensa em janeiro pelo Departamento intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE, 2015)referindo-se ao ano de 2014, diz o seguinte: “Em dezembro deste ano, o salário mínimo necessário deveria ser de R$ 2.975,55 ou 4,11 vezes o mínimo em vigor, de R$ 724,00.”

Isso quer dizer que estamos cada vez mais pobres, pagando mais impostos e com menos direitos, como é o caso da aposentadoria por “pontuação”. Na prática o trabalhador vai ter que se aposentar com mais idade para receber o valor igual ao que ele ganhava enquanto estava trabalhando. Melhor dizendo, nós vamos trabalhar alguns anos a mais para poder descansar.

Essa é a resposta do governo para atender antigas reivindicações pedindo fim ao fator previdenciário que diminuí o valor da aposentadoria. Mas o governo só encontrou maneiras de compensar a seu favor, a sobrevida do brasileiro, ou seja, como a expectativa de vida do brasileiro aumentou ele precisa compensar esse tempo a mais aumentando o tempo de contribuição. Viver mais: é o que diz  o DATAPREV, instituto ligado à Previdência Social – entidade que trata da aposentadoria dos brasileiros – nós estamos vivendo mais e com mais saúde. Isso significa que o governo teria que pagar muito mais anos de aposentadoria pois a média de vida passou de 68,4 anos em 2001 para 79,4 em 2013.

O governo teria assim que pagar para uma população maior de aposentados. E nós, contribuiremos com uma poupança durante cerca de 60 anos mas só teremos de volta cerca de 16 anos, apenas 1 quarto do que poupamos.

Mas nós não somos tão alienados a tudo isso. Em março e abril deste ano uma grande massa sai às ruas para protestar contra as ondas de corrupção que tomaram conta do país. E para aumentar o desgosto diante da falta de moralidade com o que estão fazendo com o dinheiro do povo do Brasil; ainda em abril, a presidente, como estratégia política, se apressou em aumentar a contribuição enviada para os partidos políticos, beneficiando principalmente o próprio partido ao qual está filiada: o PT.

Se o dinheiro que o governo tem é fruto do que nós pagamos significa dizer que estamos sendo incomodados de dois ângulos. O primeiro quando a gente vota de maneira imposta sem nenhuma garantia de honestidade, pois estamos dando poderes para alguém nem sempre tem capacidade de gerenciar o que é nosso. O segundo quando essas pessoas se apropriam e fazem a gosto repartição de um dinheiro que deveria estar sendo usado em favor de todos nós. E não podemos fazer nada. Pois, para a sociedade criar uma lei que seja favorável a população seria necessário que no mínimo 1 % da população politicamente ativa (art. 61,da CF )fizesse um abaixo assinado. Para talvez e se talvez fosse aceito.

E a História se repete como em eras passadas em que a terra, os meios de produção e o que era produzido pertenciam: ao faraó, aos imperadores, aos grandes senhores feudais, aos reis. Agora temos uma “regência trina” onde o poder está concentrado nas mãos do Legislativo, Executivo e Judiciário.  Para alguns intelectuais, entre eles Montesquieu –esses três poderes são o resultado da modernização de nossa sociedade, da evolução na maneira de agir e pensar e da proteção contra a tirania.

Havíamos enfim encontrado a solução para quebrar o poder de governantes despóticos que faziam o que queriam em nome do povo. Porém tudo isso perde seu valor quando tomamos consciência da nossa fragilidade diante de suposta interação que funde tais poderes.

É possível perceber que Isso se dá de forma tão Una que quando noticiam um esquema de fraude vemos que só se deu tal evento devido a coparticipação entre pessoas influentes ligadas aos Poderes. Basta rever as notícias e dar uma olhada nas credenciais dos envolvidos norecente escândalo do Banco Marca, doBanestado, do Mensalãoe a Lava Jato, entre outros.

Tudo isso nos faz repensar no que evoluímos até então. Temos tecnologia, conseguimos nos comunicar onde quer que estejamos, não somos mais tão prisioneiros do fogo, as pessoas conseguem viver mais tempo. Mudamos, melhoramos, mas politicamente o que acrescentamos?

O dia das eleições é o dia que mais sustenta o “espirito democrático” de nosso Estado. Somo todos obrigados a escolher pessoas que não conhecemos, ou pouco vemos. Antes de tudo ficamos sob o domínio da propaganda eleitoral obrigatória, goste ou não.

Depois de eleitos somos obrigados a pagar por todas as despesas dos novos ocupantes dos três Poderes. E enquanto a grande maioria da população anda de carroça (ônibus caindo aos pedaços) político tem carro do ano. Para ser gari é preciso no mínimo ter cursado o colegial, o político basta ter desenhar o nome e fingir ser escolarizado. O trabalhador ganha “um trocado” por mês enquanto eles podem aumentar a contento e o quanto quiserem o próprio salário.

Para melhorar ainda mais, ficou instituído a era da procriação; é concedido mensalmente um valor monetário para cada filho que a família puder ter. Incentivo, alienação, voto de cabresto ou escambo: podemos decidir onde encaixar tal prática na atual conjuntura.

Mas tem muita coisa boa: a liberdade de expressão. Nossas crianças podem assistir cenas eróticas na televisão, não precisamos gastar muito dinheiro comprando roupas, é tão pouco pano que os pervertidos agradecem. Afinal não precisam folhear revisas impróprias para ver nádegas ou peitos de fora. A nossa moda vem cumprindo excelente papel nesse ramo de atividade.

E para melhorar, recebemos através da mídia um virtual nariz de palhaço, pois anunciam que agora população tem acesso ao Ensino Superior por meio da geração de “bolsas” para quem vem de escola pública, mas nem sempre elas chegam.

Denúncias de operação a atual Lava jato serve de camuflagem para encobrir a possível recessão em que estamos mergulhando. Recessão na prática é quando você deixa de ir fazer compras no supermercado para comprar de pouquinho nas mercearias. Ou quando você passa a comprar tudo de ”marca”, isto é, tudo que tem a marca mais barata. Ou ainda quando se tem mais tempo para gastar, porém não se tem dinheiro porque o patrão precisou lhe dar passe livre só de ida - demissão.

Mas o governo parece que não entende nada disso: vendeu suas propriedade. A privatização foi a grande benfeitoria para o povo brasileiro. O governo vende o que ele tem – de onde saía dinheiro para pagar suas próprias contas - e passa a viver quase que exclusivamente de arrecadação: seja de impostos, de contribuições, de juros...

Se privatizar é bom por que não vender a Saúde e a Educação? Já que estão vendendo e comprando tudo. Será que podemos incluir tópicos da constituição nessas barganhas, afinal a Lei Maior determina o acesso a cargos públicos ser por meio de concurso, porém tudo está sendo terceirizado: uma espécie de privatização às avessas.

E agora? Quem poderá nos salvar? As pessoas que tinham um percurso político de beneficiamento da população acabaram em mortes inesperadas: queda de helicóptero – como Ulisses Guimarães, ou de súbito problema cardíaco,como Tancredo Neves que morreu pouco antes de tomar posse. E nós não temos mais uma Princesa Isabel.

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BIBLIOGRAFIA

http://www.dieese.org.br/analisecestabasica/2014/201412cestabasica.pdf

http://g1.globo.com/ciencia-e-saude/noticia/2014/12/expectativa-de-vida-dos-brasileiros-sobe-para-749-anos-diz-ibge.html

http://g1.globo.com/economia/noticia/2015/06/nova-aposentadoria-veja-perguntas-e-respostas-e-tire-suas-duvidas.html

http://www3.dataprev.gov.br/cws/contexto/conrmi/tabES.htm

http://www.infoescola.com/sociologia/teoria-dos-tres-poderes-executivo-legislativo-e-judiciario/

http://mundoestranho.abril.com.br/materia/os-maiores-escandalos-de-corrupcao-do-brasil

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