Aracaju, 1 de Outubro de 2014
"Não nos escondemos atrás de recado", diz Edvan sobre artigo de Valadares


Por Joedson Telles - Universo Político

O empresário Edvan Amorim, líder maior do bloco de partidos encabeçados pelo PSC em Sergipe, talvez tenha subestimado a própria força ao marcar para a sala de reunião da Ilha FM a transmissão do cargo de presidente do PR das suas mãos para as do deputado federal Laércio Oliveira, no final da manhã da última sexta-feira, dia 27. Marcada para as 10h, a solenidade lotou não apenas a sala onde aconteceu a transmissão como também outras dependências da Ilha FM. Políticos (com ou sem mandatos), jornalistas e simpatizantes do grupo estiveram por lá. Ao final, o líder Edvan conversou com o jornalista que assina esta entrevista sobre, entre outros assuntos, a mudança de comando no PR, a sua relação com o governador Marcelo Déda (tida como abalada por alguns) e sobre o engajamento do seu irmão, o senador Eduardo Amorim (PSC), para que Sergipe tenha um Hospital especializado no tratamento de pessoas com câncer. A entrevista:

Universo Político.com - A mudança de comando no PR é uma forma de oxigenar mais o grupo, já que o senhor, agora, terá como dar mais atenção aos chamados partidos pequenos?
Edvan Amorim - A gente aqui faz as coisas serem efetivadas. Não ficamos apenas no discurso. Aquilo que a gente acerta, a gente cumpre. E desde dezembro disse a Laércio Oliveira que passaria a presidência do partido para ele, para dar uma dinâmica maior ao partido num momento em que estou tendo muitas atribuições. Criação de novo partido, arrumação de outros... Então, como o PR já está um partido consolidado, ele assume dentro de uma estratégia do nosso grupo a presidência e Gilmar (o deputado estadual Gilmar Carvalho) a vice-presidência.

U.P. - Ou seja, o PR já ganhou musculatura com o senhor o presidindo, e cabe, agora, a Laércio e a Gilmar darem sequência ao trabalho, enquanto o senhor estará mais envolvido no crescimento de outras legendas do grupo. É isso?
E.A. - É por aí. A gente quando consolida uma legenda já cumprimos nossa missão. Passamos, então, para outro companheiro, outro amigo, e vamos cuidar de outras coisas. É o que estamos fazendo com essa decisão, é bom frisar unilateral de minha parte, para passar o partido para o deputado Laércio Oliveira.

U.P. - O deputado federal Laércio Oliveira, que vem sendo citado nas pesquisas para prefeito de Aracaju, mesmo sem ter colocado seu nome à disposição publicamente, chegou a expressar este desejo? Ou mesmo outro membro do grupo nutre este sentimento?
E.A. - Tem muita gente querendo disputar a eleição de prefeito de Aracaju. E isso é saudável. A gente tem bons quadros, e aquele que tiver a maioria do nosso grupo terá o meu apoio para disputar a eleição.

U.P. - O assunto já foi discutido com o governador Marcelo Déda?

E.A. - Somos da base do governador, mas não discutimos ainda essa questão da Prefeitura de Aracaju. No momento certo, o governador deve nos chamar e vamos emitir a nossa opinião. Depois disso, vamos tirar as conclusões do que o grupo entendeu para as eleições de 2012.

U.P. - E os comentários dando conta de um racha entre o senhor e o seu irmão x o governador Marcelo Déda?
E.A. - Isso não procede. Não há nenhum racha, nem meu e nem do meu grupo com o governador.

U.P. - O senhor enxerga maldade em quem planta notinhas sobre o "racha"?
E.A. - Faz parte da política.

U.P. Há muita polêmica em torno do Hospital do Câncer, que deve ser um projeto de Sergipe e não politizado contra ou a favor de ninguém particularmente, o senhor não acha?
E.A. - Às vezes, escuto dizerem que é campanha política antecipada de Eduardo (Amorim) para o governo em 2014... Veja: Eduardo foi eleito senador e tem que mostrar porque foi eleito e para que foi eleito. Tantas e tantas campanhas que ele faça. Nós temos oito deputados federais e três senadores. Se cada um tivesse uma campanha importante e bonita como essa Sergipe ganharia. Seria bom para todos. Agora, a campanha pelo Hospital do Câncer não é só de Eduardo: essa campanha é uma campanha de Sergipe. E, por incrível que pareça, já chegou ao estado do Piauí. O senador Wellington Dias, colega de Eduardo, está providenciando para que lá no Piauí, onde também não tem um hospital especial para tratar doentes com câncer, possa mobilizar as pessoas para que o hospital seja construído. Uma campanha parecida com a de Sergipe. Então, a iniciativa é de Eduardo, mas não é uma questão paternal. É uma campanha que todos devem se somar, independente de cor, raça ou filiação partidária.

U.P. - E ainda, como o senador Eduardo Amorim tem dito, ele é médico, gosta da área, tem compromisso...
E.A. - E conhece. Eduardo é do quadro do setor de oncologia do Hospital João Alves. Então, nada mais natural e justo que ele idealizar. E os demais também. Ninguém está imune a uma doença como essa. Não tem nada a ver com campanha antecipada. Amanhã, ele irá desenvolver outros temas e será parecido com esse. E que todos apresentem uma campanha, para que a gente também possa se engajar na campanha dos outros. E tornar a campanha uma campanha de Sergipe.

U.P. - Não é possível pensar pequeno nesta hora. É isso?
E.A. - Quem pensa pequeno permanece pequeno. Tem que pensar grande para pelo menos parecer grande. A gente tem essa preocupação de não misturar as coisas. Trabalho político, Eduardo é senador. Ganha para isso. O povo o elegeu para isso. Ele tem que mostrar para que foi eleito senador. Então, não será apenas essa campanha do Hospital do Câncer: teremos várias campanhas. Ele não pode e não será um senador por ser senador. Tem que mostrar para que foi que veio. Que trabalhou pelo povo que o honrou com seu voto.

U.P. - E como o senhor e senador Eduardo Amorim estão lidando com as críticas? Algumas dentro do próprio grupo liderado pelo governador Marcelo Déda, como um artigo escrito, recentemente, pelo senador Antônio Carlos Valadares, que não citou o nome, mas, para muitos, não deixou dúvida de que o alvo era o senador Eduardo Amorim?

E.A. - Nós fazemos política moderna. E a política moderna tem nome e endereço. Nós não nos escondemos atrás de factóides ou recado. Quando estamos satisfeitos continuamos, quando não, não somos obrigados a continuar. Eu não creio que o senador Valadares esteja mandando nenhum recado. Prefiro acreditar que não. Se tiver mandando recado, não sei ouvir recado. Se ele tiver alguma coisa para falar comigo ou com Eduardo, telefone. Porque se eu tiver algo a tratar eu o procuro e falo. É assim que a política da modernidade funciona. A política que olha para a frente. É por isso que o grupo cresce. Hoje mesmo (sexta-feira passada) assistimos a um ato (a transmissão da presidência do PR), para mim de emocionar, porque você vê tantos depoimentos em relação à nossa liderança... Mas isso não me deixa envaidecido no sentido de ficar arrogante. Deixa-me orgulhoso à medida que você vê o reconhecimento do trabalho que fazemos aqui no dia-a-dia.

U.P. - A propósito deste trabalho, é comum as pessoas que vivem a política sergipana nutrirem uma curiosidade: como o senhor, mesmo sem mandato, comanda um grupo que cresce tanto? Hoje é fácil alguém dizer que seu irmão é senador, que o partido tem deputados federais, a maior bancada da Assembleia... mas lá atrás, para construir tudo isso, qual o segredo?

E.A. - A gente recebe pessoas que são políticas e pessoas que não são políticas. E o tratamento é o mesmo. Naquilo que podemos ajudar, com a voz amiga, ajudamos. Mas não fazemos promessas para iludir ninguém. Então, acho que aquele que recebe uma resposta negativa, volta outro dia e quem sabe recebe uma resposta positiva num outro assunto. O respeito e a confiança são mantidos. Isso tem sido o nosso discurso, e vai para a prática.

U.P. - Ou seja, o diferencial deste grupo que o senhor lidera, ao lado do senador Eduardo Amorim, é que a palavra dada é sempre mantida?

E.A. - Com certeza. E vamos continuar assim.

U.P. - Isso é raridade na política?
E.A. - Muito raro. Mas eu acho que a gente tem que fazer com que as coisas fluam para que as pessoas não sejam enganadas pelos políticos.
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