Aracaju, 19 de Setembro de 2018
Greve dos jornalistas e radialistas é tema de livro


‘Nem copo de cachaça, nem prato de comida - a primeira greve dos comunicadores sergipanos’, do jornalista Henrique Maynart, é a nova publicação da Editora Oficial do Estado de Sergipe - Edise.

A obra será lançada durante mais uma edição do projeto ‘Ocupe a Praça Direitos Humanos’, que acontece no dia 13 de setembro, às 17h, no Centro Cultural de Aracaju, na Praça General Valadão, Centro de Aracaju. O trabalho de conclusão do curso de Jornalismo do autor conta a história da maior greve dos jornalistas e radialistas na história da imprensa sergipana, que aconteceu entre 22 a 29 de novembro de 1991.

Após 26 anos de silêncio sobre o tema, baseados pelo medo e opressão, o autor propôs não deixar que o assunto caísse em esquecimento. Henrique se engajou na busca de informações que contam esse período através de documentos contendo atas ou reportagens, depoimentos dos comunicadores envolvidos e fotografias das mobilizações e reuniões para que, mesmo com poucos registros, as pessoas que fizeram parte desse movimento pudessem relembrar e contar suas histórias, relatando fatos que eram desconhecidos por muitos. A pesquisa foi muito difícil, conta Henrique. “Foram 25 entrevistados, as lidas no livro de atas dos sindicatos para checar todos os dados, as idas às hemerotecas do Jornal da Cidade, Jornal de Sergipe e Gazeta de Sergipe, os dados da Federação Sergipana de Futebol, até porque essa greve interrompeu a final antecipada do campeonato sergipano”, relembrou. 

O autor também nos conta como escolheu esse tema, que rendeu para ele o seu primeiro livro. “Em 2013 eu encontrei o colega jornalista Cristian Góes na Praça Olympio Campos, durante nossa conversa surgiu o assunto da greve dos jornalistas em Sergipe, que havia parado até uma transmissão de um jogo realizado no Batistão. Fiquei pensando como eles conseguiram interromper toda a transmissão, porque envolve muitos profissionais - fotógrafo, repórter, quem está na redação, quem fica na cabine de transmissão, enfim, deve ter sido muito louco, porque se hoje em dia seria estranho imagine em 1991, afinal naquela época não existia a “celularização”. Acabei me interessando pelo tema e tive um grande auxílio de José Juva, meu orientador, para consolidar essa pesquisa”.

Marcos Sales, presidente em exercício da Empresa de Serviços Gráficos de Sergipe - Segrase, deixa claro sua satisfação ao publicar esta obra, pois, dentre os entrevistados que fizeram parte do movimento grevista, encontra-se o seu colega de trabalho, o jornalista e diretor Industrial da Segrase, Mílton Alves. “Sergipe tem muitas histórias para serem contadas que poucos conhecem. Esse livro nos traz a vantagem de explorar mais a memória do nosso Estado e de também conhecer um pouco da história de um grande jornalista sergipano, Mílton Alves”.

Para um dos grevistas, Mílton Alves, a paralisação foi um momento único. “Eu acho que a decisão naquele momento de reunir as duas categorias, jornalistas e radialistas, foi muito importante para que se tivesse uma macro visão do que se passava dentro das redações por esses profissionais. Para mim, àquela greve de oito dias foi algo que cravou a nossa história, o livro de Henrique resgatou isso. A greve foi maravilhosa! Quem não conhece ou conheceu, ao ler o livro vai entender isso. É um livro para ser usado e debatido em sala de aula”. E completa: “Este livro de Henrique Maynart é ouro”.

O movimento grevista iniciado pelos comunicadores não ficou apenas estagnada nos profissionais da área. O leque foi ampliado para outras categorias em busca de apoio, a exemplo de bancários, a CUT, gráficos, petroleiros e professores, que de uma forma ou de outra respaldaram aquela luta iniciada pelo grupo e entenderam a importância da paralisação. O livro é especialmente primordial para jornalistas ou estudantes e todos aqueles que se interessem pelo assunto, que é abordado na maior riqueza de detalhes.

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